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domingo, 27 de outubro de 2013

C'est possible!

Adoro a sensação de acabar de ver um bom filme e perceber que não serei mais a mesma pessoa após subirem os créditos. Acabo de me sentir assim ao ver Les Intochables (2011) - Os Intocáveis. E o negócio foi sério, pois até me trouxe de volta aqui no blog, que estava todo empoeirado e com teias de aranha.

Bom, é um drama que não é dramático... digo, tem sua carga de tragédia e de dor, mas tudo é passado de forma tão leve e tão simples, que nos faz perceber que a vida pode ser bem melhor se encarada, com leveza e simplicidade. E o mais importante, com bom humor: a receita que nos leva à amizade, fraternidade, justiça e solidariedade.

É bem verdade que já é até lugar comum essa história de que devemos pensar sempre de forma positiva e "rir das desgraças da vida", mas o fato é que nunca conseguimos por isso em prática. Algo como o caos no trânsito de nossa cidade já nos tira totalmente do eixo e nos faz xingar Deus e o mundo. Embora, lá no fundo, saibamos que aquilo é momentâneo e que poderia ser muito pior. Por exemplo, podemos aproveitar pra pensar na vida, refletir, relaxar ouvindo música, olhar a rua por outro ângulo que não vemos quando estamos dirigindo, etc.

O filme fala disso, de aprender a valorizar os pequenos prazeres e de aceitar as situações que a vida nos impõe com positividade, sempre. E mostra isso de forma tão natural, que você se põe no lugar do personagem tetraplégico que não faz nada sozinho, mas ri de sua própria condição ao encontrar a amizade em um oposto a ele em termos de cultura, condição social e de saúde, porque ele se permite a isso. Os dois tornam-se os melhores amigos e nenhuma desgraça é o suficiente para lhes tirar o sorriso do rosto e o bom humor, a não ser quando se separam. É um carpe diem que ultrapassa o significado arquetípico da vida louca e sem limites e refere-se a uma maneira de viver encontrando prazeres em pequenas coisas da vida comum.

Essa semana, por exemplo, me senti estranha ao ler uma reportagem sobre a história de vida de Malala, a menina paquistanesa que levou três tiros de um grupo extremista por insistir em ir a escola, mesmo sob proibição e ameaça de morte, e defender o direito a educação de outras meninas como ela. Pensei, "nossa, tão jovem e essa menina já fez um ato tão grandioso para mudar o mundo, enquanto eu levo uma vida tão rotineira...".

O filme me fez perceber que não são somente atos grandiosos que mudam as coisas, gestos simples e fraternos também podem mudar muitos destinos, basta acreditar nisso e pôr em prática.



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

E os meus pensamentos são todos sensações

Há tempos eu não sentia vontade de escrever aqui no blog. Tinha algumas ideias, mas nada me trazia ânimo para sentar em frente ao computador e escrever. Passo, ultimamente, tantas horas em frente à tela que, quando tenho a oportunidade de estar longe dela, agarro com unhas e dentes, embora seja cada vez mais inevitável integrar-se.

Essa semana, senti vontade de escrever porque voltei a entrar em contato com o que realmente me motiva a escrever: a literatura. Sim, eu amo a literatura. E falo isso sem medo ou vergonha, sem restrições. Amo ler, amo escrever, amo traduzir com palavras minhas emoções. A literatura me faz sonhar, me faz criar um mundo paralelo, ainda que, para alguns, um mundo antiquado, fora de moda.

Começando em um novo trabalho, dia desses, um vizinho de mesa me pergunta: "Qual é mesmo a tua formação?". Com um tanto de orgulho na voz, respondo: "Jornalismo, com especialização em Língua Portuguesa e mestrado em Estudos Literários". E ele solta a pérola: "Caraca, tu deves ser muito chata!". Julgada que fui, achei graça, e perguntei a mim mesma: "Como pode alguém não gostar de literatura? A sorte é que o mundo é feito de pessoas diferentes!".

As palavras têm força e poder. Alguém que sabe manipular palavras e criar um texto para puro deleite e contemplação é um verdadeiro artista. Eu estou longe de ter esse dom, mas sei apreciá-lo. Um escritor é um escultor de sentimentos, um afagador de almas. É alguém que vê além do que seus olhos podem ver e supera o concreto, é todo sensações.

Na minha humilde opinião de leitora, acho incrível o que a leitura é capaz de fazer com as pessoas e com as coisas: a literatura faz nascer, faz mudar, faz crescer... Alguns minutos em um ambiente totalmente propício para esse entendimento, a Feira Pan-Amazônica do Livro 2012, foram suficientes para ter certeza de que a literatura não me faz chata, mas sim, me faz maior, do tamanho do que minha imaginação pode vislumbrar.

Em outros posts, já critiquei as proporções que este evento tomou em minha cidade, mas, ainda assim, é inevitável não reconhecê-lo como uma grande celebração à literatura, há de saber aproveitar seus bons momentos, separar o joio do trigo e saber colher os frutos: as imagens mentais e as sentimentalidades que nos permitirem o verso e a prosa.

Quem escreve e quem lê pode ser quem ou o que quiser, ou, quem sabe, qualquer coisa de intermédio, como diria Sá-Carneiro, o amigo dileto do homenageado desta edição da Feira. Muitos em um, um em vários, uma Pessoa em Fernando, Fernando em várias pessoas: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis... mas do que seres de papel, seres de sentimento, seres cheios de alma, ainda que alma feita de letras e palavras.



Pessoa - e todos os seus "eus" - queria ser poeta como as flores florescem e têm cor, permitindo-se dizer tautologias, porque, ainda que cheio de pensamentos, a poesia o livrava do peso de pensar, sabendo-se por isso, não do tamanho de sua altura, mas do tamanho do que sua alma o permitia ver e, mais do que ver, enxergar.

Fernando Pessoa sabia-se poeta, se sabia sábio e, ao mesmo tempo, sabia que precisava saber mais:

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

Olhar o mundo com as lentes do poeta é entender que:

"Tudo vale a pena se a alma não é pequena"

É entender com naturalidade, a complexidade do mundo, querendo-se, por isso, mas simples e:

"Leve, leve, muito leve, um vento muito leve que passa, E vai-se sempre muito leve..."

Chata para alguns, essencial para outros, a literatura é vento, mas também é ar. E penso nela não como quem, simplesmente, sente a brisa, mas como quem respira.

"Olá, Guardador de Rebanhos,
Aí, à beira da estrada,
Que diz o vento que passa?

Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois
E a ti, o que te diz?

Muita coisa mais do que isso
Fala-me de muitas outras coisas
De memórias e saudades
E de coisas que nunca foram..."

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Queira ou não queira terminou o Carnaval...

"O Marajó é uma coisa fantástica, só você vendo… E depois de ver, é capaz de não acreditar. Você vê, sente, vive o Marajó; Contar é difícil. Adianta?..." 

Carlos Drumond de Andrade escreveu essa crônica em 1981 sem nunca ter ido ao Marajó. Só de ouvir falar! Esteve lá através de relatos por correspondência com uma certa moça paraense e conseguiu recriar a Ilha no seu imaginário.

Imagina, então, se ele tivesse presenciado a cena: o mar misturando-se aos rios, os furos de água cristalina, a revoada dos guarás, o galope dos vaqueiros, os búfalos convivendo pacificamente com os homens, a travessia dos pôpôpôs no lusco fusco do fim de tarde... Cenário de novela. Aí, sim, tenho certeza que não saberia se olhava, bebia ou mergulhava na paisagem!

O Marajó é puro encantamento, uma viagem no tempo, um transbordamento de memórias e emoções. A Ilha transpira histórias da época do descobrimento, das grandes navegações, da colonização e missões.

Do tempo da crônica de Drumond pra cá, Salvaterra cresceu absurdamente. É a cidade mais desenvolvida da Ilha, onde prosperam o comércio e a modernidade. Soure, não. Permanece em ritmo pacato de cidade interiorana, de praias recém descobertas, dos grandes casarões e dos sobrados coloniais que dividem espaço com tendências mais modernistas ao estilo raio-que-o-parta. Ambas as cidades foram planejadas como no modelo novaiorquino, com as ruas numeradas, cortadas por travessas sem nome, só números. 

Os cinco dias do Carnaval são pouco para conhecer tudo que as cidades e a Ilha têm a oferecer. É preciso optar entre os blocos de rua em que os mascarados dividem a alegria com as crianças, e, as fazendas que abrigam os jacarés e escondem o suspiro da cobra grande.

Depois de um naufrágio de um navio - que não se sabe se indiano ou francês - no no rio que dá acesso a Soure, impedindo embarcações de grande porte de atracarem diretamente lá, Salvaterra passou à frente em termos de desenvolvimento, mas os resquícios de história permanecem por toda parte: na lembrança dos moradores mais antigos, nas ruínas de Joanes... Não fosse a crônica de Drumond eu poderia jurar que o nome "Joanes" é por causa das joaninhas que, lá, encontram-se aos montes, símbolo de boa sorte, fortuna, fartura e amor verdadeiro.

Os turistas chegam a todo instante, de todos os lugares do Brasil e do mundo, para conhecer a Amazônia na sua forma nativa, o povo marajoara, nem índio, nem negro, nem branco: mestiço, genuinamente caboclo. Enfim, não são raros os casos de gringos que se apaixonam e acabam ficando por lá.

Foi o que aconteceu com o britânico border collie, que adotou a Praia Grande, de Salvaterra. Trazido por um inglês para uma temporada na Ilha, não quis mais saber de outra vida. Primeiramente foi levado a passeio ao ponto mais alto da praia. Depois, começou a ir para o mesmo ponto toda manhã por conta própria. O dono ia buscá-lo no fim do dia e ele voltava relutante até que, certo dia, foi parar lá com um pedaço de sua casinha de madeira e, por opção, fincou ali o seu lar.

Carinhosamente apelidado de turista, o cachorro recebe os visitantes, corre livremente pela areia, banha-se na imensidão do mar-rio e é capaz de ficar horas e horas olhando para o horizonte, ao som das ondas, com o ar sábio de quem escolheu com o coração o lugar para viver. 

O Marajó tem dessas coisas, tem seus mistérios, seus encantos... Para usar as palavras de Drumond: "Eta arquipélago danado, deslumbrando, perturbando a vista miudinha da gente!". E olha que eu vi! 

******

Pena que o Carnaval acabou, mas ano que vem tem mais!
  

sábado, 31 de dezembro de 2011

Balanço

2011 encerra hoje com um saldo positivo. Sim, foi um bom ano. O Repórter de Sandálias teve 11 posts e 2.685 visualizações de páginas em 10 países diferentes (Brasil, EUA, Portugal, Alemanha, Coreia do Sul, Paquistão, Rússia, Japão, Letônia e Taiwan).


É claro que isso é bem menos do que eu poderia escrever se não estivesse um pouquinho ocupada fazendo mestrado (em 2009 foram 35 posts, caindo para 12 posts em 2010, quando comecei a pós), mas uma das minhas metas para 2012 é, justamente, cuidar melhor do blog, atualizá-lo com mais frequência e ter mais carinho pelos meus leitores que, embora sejam poucos, são fiéis.

Afinal, a bloqueira que agora vos fala (ou vos escreve - a pergunta cruel da banca examinadora ainda ressoa em minha cabeça desde a defesa: "O que é a escrita para você, Jéssica?") é mestre em literatura!

Ainda não sei bem o que fazer com esse título, mas o obtive com muito esforço, noites perdidas e baladas recusadas, o que me renderam duas olheiras fundas e roxas que eu não tinha até 2009, antes de começar o mestrado.

Já o saldo positivo é bem mais promissor: um novo blog! Para todos que, como eu (e como a minha banca não pode deixar de perceber: "Você tem que tomar distanciamento, Jéssica!"), são apaixonados pela blogosfera.

O blog Webliteratura é o produto final da minha dissertação de mestrado. Ele não era o objetivo principal, mas tornou-se o objetivo fim da pesquisa. Portanto, um novo espaço para discutirmos, comentarmos ou simplesmente navegarmos pelos bytes (web)literários da informaré, como diria Gilberto Gil (ouça aqui). 

É fato que o blog mal foi criado e já está desatualizado, mas isso é porque eu também sou filha de Deus e mereço um bom descanso. Logo, logo pretendo voltar à ativa e, quem sabe, transforme o Webliteratura em projeto de extensão!

Como a vida não é feita só de trabalho, eu também fiz a minha lista de promessas de ano novo. Quero um 2012 mais leve, com mais leituras feitas por prazer do que aquelas leituras obrigatórias, se me permitem a analogia. Então, vamos às metas:

1 - Acordar tarde, dormir depois do almoço e ir pra cama cedo (foi comprovado cientificamente que dormir bem, faz a gente pensar melhor!).
2 - Namorar muuuuiiiiitoooo!!!
3 - Fazer exercícios físicos (adeus sedentarismo!).
4 - Comer menos e melhor (sinto muito pizzas e x-burgeres, quero qualidade de vida!).
5 - Ler mais livros, de preferência, romances (aqueles que os professores não recomendam).
6 - Ver mais filmes e ir mais ao cinema (passei 2011 inteiro assistindo apenas animações e comédias românticas para me abstrair da rotina hard...).
7 - Me atualizar em termos de música e ir mais a shows (descobri um paraíso de cds e dvds na Big Bem da Batista Campos).
8 - Passear mais ao ar livre (odeio a sensação de começar a trabalhar em dia claro, nem ver que choveu, nevou, passou um furacão ou pegou fogo na casa da esquina para sair do escritório em noite alta...).
9 - Viajar mais, conhecer lugares novos e visitar os que já conheço com um novo olhar.
10 - Rir mais, sorrir, gargalhar, achar graça e todos os sinônimos possíveis para o ato de mostrar os dentes em uma manifestação efusiva de alegria (xô, esteresse!).

São promessas fúteis, eu sei, mas eu mereço!

:)

E vocês, me contem, quais as suas metas para o ano novo?

terça-feira, 12 de julho de 2011

À meia noite e em todas as horas, em qualquer lugar

Tá, tudo bem, realmente exagerei no último post. Aposentadoria é um pouco demais..., digamos que umas boas e verdadeiras férias, daquelas em que curtimos sombra e água fresca, literalmente de pernas pro ar (com ou sem sadálias), resolvam o meu problema. Pena que não é o caso: entrarei de férias pela metade, pois continuarei trabalhando em casa. Mas já é um bom começo.

Essa história de pular de fases ainda me rendeu muitos pensamentos essa semana.

Eu estava justamente refletindo o quanto o ser humano parece ser um eterno insatisfeito com a vida, o tempo e o presente momento, quando me vi, me encontrei, me identifiquei (e outros sinônimos afins) - em total sentimento de catarse - com o dilema do personagem principal do Meia Noite em Paris, primeiro Woody Allen que assisto no circuito comercial e que já é sucesso de bilheteria em todo o mundo.

E não apenas: também me vi no papel da coadjuvante, noiva do personagem principal, sempre reclamando de tudo... Já explico.

Como sempre, as tramas do Woody Allen transcorrem lentas e com simplicidade, mas com cenas que surpreendem a cada dez minutos de filme e terminam com uma grande sacada que muda o sentido da nossa existência.

Estar em Paris faz com que o personagem principal, depois de muito tempo de olhos vendados, volte a se questionar sobre os rumos que até então vinha dando a sua vida, resgatando em seu íntimo o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido, como os imortais que marcaram época na capital francesa dos anos 20. E o sonho é tamanho que o permite viver uma aventura fantástica em que viaja no tempo e conhece pessoalmente os literatos que sempre admirou e foram sua fonte de inspiração.

Tempo é a palavra-chave no roteiro. É indo e vindo dos anos 20 aos anos 2000 que o personagem percebe que não é preciso estar em outra época, seja no passado ou no futuro, para viver intensamente e dar vazão aos seus desejos mais sinceros, basta se permitir e arriscar sem medo de ser feliz. A vida é o presente e estar satisfeito com ela só depende de nós mesmos!

E com esse aprendizado percebi o quanto, tantas vezes, me comportei como a antipática do filme, a noiva chata, perfeccionista e um tanto fútil, que está sempre reclamando de alguma coisa e acha que a felicidade está em conceitos pré-definidos pela sociedade do que é belo, culto, politicamente correto, economicamente rentável... Não quero ser assim!

É por isso que eu retiro o que disse no post abaixo. Vou tentar viver o presente em sua plenitude, aproveitando cada segundo dos bons momentos e tentando, por mim mesma, modificar o que não me agrada, correndo atrás dos meus sonhos e me permitindo realizar os meus desejos mais bobos, sem esperar que a solução para qualquer coisa venha do aquém ou do além-tempo do que eu esteja, aqui e agora, experienciando.

O que um Woody Allen não faz com a vida da gente!!

:)

Assista ao trailler aqui.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tempos mais que modernos

Há algum tempo tenho me dedicado a pensar e analisar o papel que a tecnologia desempenha na sua relação com a linguagem. Em visita a Belém, no dia 31 de março de 2011, Lúcia Santaella, uma das semioticistas mais conhecidas e bem pagas nos terrenos nacionais e internacionais da comunicação, letras e artes, me ajudou nessa empreitada falando sobre os "35 anos de convergências tecnológicas", desde o surgimento dos primeiros maquinários provenientes das sucessivas revoluções industriais até o contexto atual, em que a tecnologia digital, do celular, ao cartão de crédito, do notebook ao ipad, passam a regular todo tipo de relação humana ou social que se desenvolve sob a égide da "pós-moderndiade".

Em 1936 Charlie Chaplin já mostrava o desafio que é sobreviver em meio a um mundo moderno e industrializado, quando as máquinas tomam o lugar dos homens e tornam-se suas próprias mãos, mentes e laços. Tempos Modernos é o último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".

A cena inicial da película mostra Carlitos, funcionário de uma grande fábrica, entrando em colapso pelo excesso de trabalho e pelo efeito provocado pela produção em série e em larga escala, que padroniza as ações humanas e deixam o cidadão no limiar da loucura e da escravidão. socialista e é levado à prisão, onde aprende a apreciar os prazeres do ócio, chegando ao ponto de sentir-se mais livre ali, atrás das grades, do que se tivesse que trabalhar em fábricas para sobreviver.

Ao ser libertado, de volta à realidade cruel da sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho, Carlitos assume a identidade do vagabundo, o flaneur, que vaga a esmo pela cidade, com fome, sem destino, em busca de emprego ou aventuras, olhando as vitrines dos sonhos, dos bens e dos desejos que não pode realizar, ter ou saciar. Ao se apaixonar por uma pobre órfã, o vagabundo pensa em "voltar aos eixos", trabalhar e construir a vida ideal da família burguesa, pautada pelo conforto, a diversão e a alienação de quem tem pão, circo e não se importa com os problemas sociais.

Mas, no mundo moderno, não há lugar para os desajustados...


Se a primeira geração da revolução industrial já sofria tanto com os efeitos e impactos tecnológicos provocados pelas máquinas capazes de produzir mercadorias..., que dirá as gerações mais recentes que advém da era em que as máquinas são capazes de produzir linguagem, traduzir códigos alfabéticos e permitir a comunicação em longas distâncias, quebrando as barreiras do espaço-tempo e criando os domínios da virtualidade!

Nos tempos contemporâneos, as tecnologias digitais moldam uma linguagem que nasce e é própria das redes virtuais...

É pensando nisso que Santaella, em seu livro "Linguagens Líquidas na Era da Mobilidade" (2007), identifica cinco gerações que marcam a cronologia das tecnologias da linguagem e da comunicação: 1) tecnologias do reprodutível, caracterizadas pelos meios eletromecânicos de comunicação em massa, a exemplo do jornal, da fotografia e do cinema; 2) tecnologias da difusão, onde figuram os meios eletroeletrônicos de comunicação de massa, como o rádio e a televisão; 3) tecnologias do disponível, gadgets que fazem surgir a "cultura das mídias", regulada pelos meios digitais de comunicação de massa, responsáveis por hibridizar diversos gêneros e linguagens; 4) tecnologias do acesso, geradas pelo surgimento das redes e pelos avanços da teleinformática, onde estão inseridos o computador, a internet e as mais diversas interfaces gráficas; 5) e por fim, as tecnologias móveis, representadas pelos meios móveis com acesso à rede de informação e comunicação, como os notebooks, blackberries, iphones, ipads e afins.

O fato é que, à medida que a comunicação entre as pessoas e o acesso à internet e à informação, na contemporaneidade, favorecem a interferência e a intromissão do virtual na vida real, como ocorreu na modernidade com o personagem de Chaplin, modificam-se as relações de sociabilidade, o psiquismo, a cognição e, inclusive, a corporeidade dos seres humanos, que passam a associar à máquina a sua razão e maneira de existir, estar, pensar, ser e sentir no mundo. Do ponto de vista da linguagem, as tecnologias móveis e de acesso eternizam a escrita, o som e a imagem em uma proliferação infinita de signos, além de uma sintaxe essencialmente híbrida.

Quem não se ajustar a essas novas engrenagens, definitivamente, estará fora de época...




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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O velho e o novo tempo

Século XXI, primeiro século do terceiro milênio. O ano é 2011. Há quem tenha vivido um reveillon moderno: na praia, nas montanhas, nas grandes cidades cosmopolitas... Como se eu tivesse voltado no tempo uns 200 anos, meu reveillon foi bem diferente. Nunca tinha imaginado coisa igual em plena pós-modernidade!

Eu que já estava preparada para a mesmice da passagem de ano em Salinópolis - PA (passo o reveillon lá desde que me entendo por gente, salvo raras exceções), onde a virada normamelte se dá em congestionamentos a caminho da praia, de repentemente, tive a oportunidade de ir para Santarém Novo - PA.

Município paraense entocado mata adentro, a 180 Km da capital Belém, saindo pela rodovia BR-316 até o trevo da Vila Nova, seguindo pela rodovia de Salinas (PA-324) até o trevo da Vila de Pau-Amarelo (PA-124). Santarém Novo tem como principal fonte de renda a extração do caranguejo. No sentido Sanlinas-Belém, está a 37 Km da saída do litoral.

A cidadela tem uma rua principal, quatro ou cinco ruas transversais, um barracão para eventos culturais, a praça da Igreja Matriz e um trapiche que dá acesso ao rio Maracanã, rio, aliás, que deu origem ao povoado em meados do século XVIII.

Dezembro, no município, é mês de festejar São Benedito, padroeiro dos humildes. A festa é tradicional e ocorre há 100 anos, pretes a ser tombada como patrimônio imaterial da cultura paraense conforme avaliação em andamento feita pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Além de cerimônias religiosas, procissões, ladainhas e outras honrarias ao santo, a festividade de São Benedito, como toda manifestação que mistura fé e cultura, tem um lado profano: uma quermesse organizada pela Irmandade do Carimbó de São Benedito, que dura os dez dias da quadra festiva, do dia 21 de dezembro ao último dia do ano.

São dez noites de festa, animadas pelo som do carimbó, ritmo genuinamente paraense, marcado pela batida de tambores, que mescla elementos indígenas e africanos e hoje integra o folclore nacional, estando também na expectativa pelo tombamento como patrimônio cultural brasileiro.

Na festa de São Benedito em Santarém Novo, que ocorre, é claro, no barracão da cidade, só dança o carimbó no salão homens vestidos de paletó e gravata e mulheres trajando a saia longa e rodada que embeleza o rebolado. Blusas decotadas, que mostrem os braços, barriga ou costa são proibidas, como manda a tradição. É difícil ver cena como essa na capital, onde o carimbó é tocado, em alguns lugares, sem nenhuma referência aos motivos culturais que o rodeiam.

Na noite da virada, o ritmo contagiante vem por meio dos tambores do grupo "Os quentes da madrugada". A partir das duas da manhã até o sol raiar, no primeiro dia do novo ano, os casais arrastam pé no salão. O combustível é a gengibirra, bebida a base de gengibre, cravo da índia e cachaça, distribuída gratuitamente para quem precisa de um gás a mais. A cada canção, os casais entram no salão em fila e vão dançando em círculos ao redor do salão e ao redor de si mesmos, em translação e rotação, como o planeta Terra em torno do sol.

Sei dançar o carimbó, mas aprendi na capital. O carimbó tradicional de Santarém Novo me custou uma dor nas pernas diferente, como tudo ali me causou estranhamento... um estranhamento bom, aquele que é provocado pelas novidades. Uma novidade pra mim que ao mesmo tempo é centenária para o povo do município!

Passei o reveillon de roupa emprestada, saia rodada atravessada de geração a geração pelas santarenas, e não de roupa nova como manda a superstição. Subistitui os sete pulinhos sobre as ondas por reboladas durante toda a madrugada. E, ao invés do champagne, brindei o ano novo com gengibirra! Que venha, então, 2011, e que seja tão repleto de novas experiências como foi essa virada!!!

E você, como foi seu reveillon?




Feliz ano novo a todos!!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Queridos leitores

Em mais um episódio da minha recém-renascida vida acadêmica, passei por um aprendizado valioso que não poderia deixar de compartilhar. Se você adora ler e devora qualquer tipo de literatura sem amarras ou preconceitos, cuidado! Não afirme isso em público, principalmente se a platéia for formada por pseudo-cults ou criaturas que tenham um currículo lattes maior do que o de Sócrates, Platão ou Aristóteles, sob pena de ser tachado como portador de uma intelectualidade vaga e superficial.

Definitivamente, Paulo Coelho ("O Alquimista"), Dan Brown ("Código da Vinci") e J. K. Rowling ("Harry Potter"), são os autores com quem você jamais pode admitir qualquer tipo de relação, pois, piores que os best sellers, somente os livros de auto-ajuda e os romances estilo Júlia e Sabrina. Isso pode custar a integridade de sua inteligência e olhares acusadores que transparecem a dúvida se você ingressou no mestrado por mérito próprio ou devido a favores de terceiros.


Aqui, só entre nós, confesso que pequei e várias vezes já me deleitei, me diverti e chorei com as páginas de alguns dos livros que constam a lista dos mais vendidos. Não me orgulho disso, mas também não me arrependo, porque qualquer leitura é válida. Mesmo que não possa acrescetar conteúdo profundo e blá, blá, blá, pelo menos permite desenvolver a capacidade crítica e, a partir daí, a possibilidade de amadurecer e refinar o gosto. Na minha opinião (que os teóricos e professores não me leiam!), literatura boa ou ruim é uma questão de ponto de vista.


Depois da fase da Turma da Mônica, da Revista Capricho e dos jornais de domingo, comecei com Paulo Coelho (não contem pra ninguém), e, aí, percebi que as leituras obrigatórias do ensino médio não eram tão ruins assim. Pelo contrário, notei que, perto do mago, Machado de Assis, Eça de Queriroz e até o Guimarães Rosa foram verdadeiros gênios.


Foi assim que me tornei uma ávida leitora de clássicos, tão valorizados pela academia. Isso não me impede de dar uma escapulida de vez em quando à lista dos best sellers. Ainda que tais leituras não mudem a minha vida, é possível encontrar entre elas um ou outro talento promissor que garanta emoções fugazes e horas agradáveis de solta imaginação.


A seguir, uma lista com os livros que mudaram a minha vida, não necessariamente nessa ordem. Alguns são clássicos, outros nem tanto assim.


1 - Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Márquez

2 - Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

3 - Dom Casmurro - Machado de Assis

4 - Primo Basílio - Eça de Queiroz

5 - O crime do Padre Amaro - Eça de Queiroz

6 - Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

7 - O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder

8 - O homem feito - Fernando Sabino

9 - Budapeste - Chico Buarque

10 - Grande Sertão Veredas - Guimarães Rosa


E você? Quais os livros que valeram a pena?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Paranóia

Hoje caiu uma daquelas chuvas que anunciam a lua cheia... E, ultimamente, eu ando meio assombrada, sonhando com bem-te-vis cantando na minha janela.
Para completar a onda de maus presságios, hoje também morreram o mestre Verequete e o Claude Lévi-Strauss.
Uma coisa pode não ter nada a ver com a outra, mas é rapidinho que a minha mente insana entra em parafuso e cria várias associações que podem render uma noite em claro.
E eu que nunca fui supersticiosa me vejo agora fazendo figas, rezando a Deus, santos e orixás...
Se esse bem-te-vi não sumir logo, eu juro que atiro pedras, quebro com minhas próprias mãos o pescoço dele e ainda arranco as penas!!

sábado, 10 de outubro de 2009

Vigília

Essa é a época em que a cidade demora a dormir. Já é tarde e todas as luzes continuam acesas. E é incrível como o brilho atrai...





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Para ver imagens do Círio de Nazaré, clique aqui e aqui.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vai dar samba

Eu gosto de arroz quentinho. Sorvete é a minha sobremesa preferida. E o que me atrai em alguém é a inteligência. Essas são algumas coisas sobre mim que pouca gente sabe. Sempre tive dificuldade de me mostrar, de falar de mim mesma ou de ser parecida com outras garotas da minha idade.
Lembro que quando eu tinha entre uns 12 e 15 anos, enquanto minha irmã ia shopping com as amigas e minhas primas assistiam Malhação, eu ia visitar o meu avô. Cabelos ralos e brancos, o couro cabeludo à vista. Magro, sorriso carinhoso, voz mansa... me chamava de "Jessinha".

Eu ia vê-lo no fim da tarde. Bastava atravessar a rua. Ele sempre estava em casa, deitado na rede atada em frente à TV. Gostava de novelas. Essa deve ser uma das delícias da velhice: o imenso tempo livre, que ele preenchia também com passeios na calçada do Bosque, boa música e boa literatura.

Era quase um ritual. Meu avô me perguntava sobre a escola, em seguida me mostrava seus livros e seus discos. Ele me apresentou a Divina Comédia, de Dante Alighieri, e me fez ouvir com um pouco mais de simpatia as música de um rei pré-fabricado. Guardava a coleção do Roberto Carlos como uma relíquia. Até hoje me lembro dos vinis empilhados, cada um no seu respectivo saquinho plástico, próximo ao toca-discos. Isso mesmo, um toca-discos!

É claro que, como qualquer adolescente, também vivi a fase em que dancei É o tchan em frente ao espelho, fui ao show do Netinho e comprei CDs dos Hanson, Spice Girls e Backstreet Boys (todo mundo tem um passado negro), mas graças às visitas que fiz ao meu vôzinho, desenvolvi o gosto pela leitura e descobri que era possível diferenciar a boa música daquela que ouvia só por diversão.

Meu avô foi um comerciante de mão cheia, ao modelo dos antigos caixeiros viajantes. Não fez faculdade, mas foi o homem mais culto que eu já conheci. Até hoje me lembro dele quando ouço Roberto Carlos ou então Chico Buarque, Elis Regina, João Gilberto, Vinícius de Moraes, Noel Rosa, Tom Jobim...



Por esses dias, veio parar em minhas mãos um DVD do Gonzaguinha. Preciosidade da música popular brasileira. Pura poesia musicada, em ritmo de samba, encontrado escondidinho entre o tecnobrega, o funk e o sertanejo, a R$ 2,50, na banca de piratas do terminal rodoviário da UFPA. Ouvi e me lembrei daquelas tardes que passava com meu avô.

Bons tempos aqueles! Não falo do tempo da minha adolescência: fase complicada para uma criatura mal ajustada como eu... Falo, sim, dos tempos da bossa nova, do samba canção, do ie ie ie e da jovem guarda, que me fazem sentir saudade de uma época que eu nunca vivi. A música é velha, o estilo antigo e a composição um tanto quanto ultrapassada, mas a mensagem permanece atual e a melodia agradável aos ouvidos, à alma e ao coração.



*****

Eu estava sozinha em casa, em uma daquelas tardes, quando, no número 5 da rua em frente, meu avô morreu. Parada cardíaca. Encontrei ele na rede, um livro no colo. No toca-discos, Gonzaguina cantava "É a vida, é bonita e é bonita...".

Vô, esse samba é pro senhor!

Saudade ;)


Para ouvir outras músicas inesquecíveis, clique aqui. Alguma dessas já marcou momentos de sua vida? Me conta!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Realidade de mentirinha

Está no ar a vida fácil e fútil sob o olhar de Manoel Carlos. As novelas do Maneco são famosas por trazer uma visão particular sobre o cotidiano, por colocar no horário nobre dramas comuns a todos os seres humanos... Será?

De fato, o divórcio, por exemplo, que é um dos conflitos vividos por Lília Cabral no papel de Tereza na nova "Viver a Vida", ocorre em todas as classes socias. Mas a separação da novela das oito requer a difícil decisão sobre quem vai ficar com o jatinho e quem vai ficar com a mansão de Búzios: isso em nada se aproxima da vida real, na minha opinião.

Não acredito que as pessoas comuns se identifiquem com os personagens de Maneco, a não ser uma minoria de classe média alta. O povo que é o povo assiste não porque se encontra nesses melodramas vazios e elitistas, mas para fugir da vida dura e sem graça do "cotidiano do dia a dia diário".

Os faniquitos de uma modelo mimada, como os interpretados por Aline Moraes na nova novela, para alguns, pode ser muito mais divertido do que a simples realidade. "Sei lá, sei lá. A vida é uma grande ilusão", como diz a música de Toquinho e Vinícius, cantada por Chico Buarque e Miúcha na abertura de "Viver a Vida" (ouça aqui).

A "vida real" de Manoel Carlos só existe na telinha do horário nobre, quiçá nos últimos dois minutos do capítulo do dia, quando um telespectador dá um depoimento de não-ficção, recorrente nas histórias do autor, assim como a protagonista Helena, que dessa vez é negra, rica e super modelo (Taís Araújo). Ela seria uma em um milhão na sociedade brasileira se não fosse pura fantasia!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Aos curiosos

Para quem quiser saber: "entre mortos e feridos salvaram-se todos". Eu até que me saí bem na mesa-redonda sobre "Blog: teconologia, comunicação e moda", que fez parte da programação do evento "Café com Moda", promovido pela Unama, no último dia 14/09.

No início, fiquei nervosa, mas depois engatei a primeira e segui "de com força", embora com leves solavancos no inevitável "é... é... é...". Mas creio que não foi nada mau para uma palestrante de primeira viagem como eu.

Não! Não postei vídeo algum no youtube com a minha performance. O meu mico foi exclusivo para a plateia muito bem representada por jovens autênticos e bem vestidos, alunos do curso de Bacharelado em Moda, cujos olhares atentos e sagazes deti em minha direção pelos 15 minutos mais longos da minha existência.

Aqui, basta a informação de que consegui passar o recado que pretendia dar sobre o blog enquanto ferramenta de comunicação em potencial. E acho que o povo gostou, pois houve muitas perguntas e as falas dos integrantes da mesa meio que se complementaram.

No mais, devo ter conquistado alguns novos leitores. A estes: "Sejam bem-vindos"!

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Não deixe de visitar o blog lançado na ocasião pelos futuros estilistas e fashionistas da Amazônia. O Fazendo Moda já está no ar! Vale a pena dar uma conferida no talento dessa turma. As ideias estão quentinhas, saindo do forno.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Democratizando a informação

Ele apareceu como um diário virtual, um registro informatizado sobre a vida e os pensamentos de alguns. Hoje, mais de uma década depois, quase todo mundo tem um. Até o presidente da República (acesse aqui o Blog do Planalto).

Ontem, 31 de agosto, foi o dia do blog.

Segundo o site www.blogday.org, o dia foi criado para que blogueiros de todo o mundo tivessem uma data dedicada a indicar outros cinco blogs que achassem interessantes. Assim, os leitores dos blogs conheceriam outros diferentes blogs, no espírito democrático da internet de espalhar a informação.

Aqui vão minhas indicações, mas a minha lista tem seis blogs.

  • Jornalismo
Jornal Pessoal

  • Política
Crápula-Mor

  • Literatura
Todoprosa

  • Cinema
Interferência

  • Moda
Cadicoisa

  • Humor
Bêbadogonzo

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Vale a pena conferir. A informação é grátis e de qualidade.

Ah, e esse post tem trilha sonora. Clique aqui.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Orgulho Nacional

Eu nunca fui muito fã de esportes. Desde criança, eu era daquele tipo de aluna que sempre arranjava uma desculpa para faltar as aulas de educação física: cólica, dor de cabeça, unha encravada... Não que eu seja sedentária. Gosto de me exercitar, mas não com espírito competitivo e com nada que me faça enfrentar pessoas maiores que eu ou objetos, como bolas, vindo em minha direção em alta velocidade. O máximo que fiz, na minha infância, foram alguns meses de natação, só que nunca cheguei a evoluir da piscina média para as raias olímpicas.

Durante muito tempo, por isso, me acostumei a assistir futebol ou qualquer outro jogo somente em época de copa ou olimpíadas (nem os Re x Pa paraenses chamam minha atenção), de modo que, faltando 10 minutos para acabar o Jornal Nacional, quando sempre entravam no ar as notícias do esporte, eu mudava de canal, pegava um livro ou procurava outra coisa pra fazer, pois isso queria dizer que tudo que poderia me interessar naquela edição já tinha sido exibido.

De umas semanas pra cá, no entanto, a cena mudou. Não sei se por uma estratégia para segurar a audiência ou se por uma mudança de julgamento na hora de avaliar e hierarquizar as informações mais importantes do dia, o JN tem trazido as notícias de esporte primeiro, por exemplo, do que as da de editoria de política, como hoje (edição do dia 11/08/09) em que a prata do vôlei masculino veio antes dos desdobramentos sobre o caso Sarney.

Lembro que, dia desses, eu que nem sou fã de esporte até me emocionei com uma matéria de destaque, no mesmo telejornal, sobre a vitória de César Cielo, "o novo imperador das águas", que entrou para a história da natação brasileira: "Este grande brasileiro agora pertence ao mundo. E graças a ele o mundo gosta um pouco mais do Brasil", disse a reportagem. O VT teve direito a cenas em câmera lenta, sobe som com o hino nacional e até homenagem com replay da competição que levou o nadador ao pódio.


Não querendo desmerecer as conquistas dos atletas brasileiros e tudo bem que as notícias sobre política, no nosso país, ultimamente, não têm merecido luzes de holofotes, só gostaria de chamar atenção para este pequeno detalhe de ordem que pode até parecer banal, mas que reflete um fundo de verdade no boato de que brasileiro só tem orgulho da pátria e amor nacional quando o assunto é carnaval ou esporte.

Não é para menos. Com tanta baixaria no Senado, realmente, o Brasil das medalhas de ouro e torcidas empolgadas é muito mais atrativo. Para o nosso time de senadores, que parece estar jogando contra, resta: o último bloco....

Uma boa noite para você!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Breve instante de luz

Um dos filmes mais belos que assisti em uma das tardes desbotadas do último mês de julho foi "O Escafandro e a Borboleta" (Le Scaphandre et le Papillon/França 2007). Um filme que me fez pensar.

Sempre fui sacaneada pelos meus amigos por preferir os filmes das prateleiras de Oscar, Cult, Estrangeiros... enfim, sabe aqueles filmes que ninguém escolheria só pelo nome ou pela capa? Eu vou certeira neles. Não sei bem ao certo porquê. Não sou adepta das sessões de filme alemão, preto e branco e sem legenda: aqueles típicos cinéfilos com óculos de armação preta e que assistem ao filme coçando o queixo e acenos afirmativos de compreensão, como me acusam de ser. Não sou assim,. Apenas aprecio os filmes que trazem em seus roteiros mais do que explosões, carros de corrida, super heróis e os rostos bonitos de Hollywood.

"O Escafandro e a Borboleta" é um filme premiadíssimo, considerado cult, francês e baseado em uma história real. Calma, calma... É sério!! Apesar de ter todas as características que compõem o típico estereótipo das "películas" preferidas da turma dos pseudo-cults, o filme é realmente muito bom. Não tenho hábito de opinar sobre cinema aqui no blog (e isso está longe de ser uma crítica), mas não posso deixar de recomendar aos amantes da sétima arte que apreciem esse filme em particular, que é original do início ao fim. A começar pelo roteiro: imagine um ser humano prisioneiro de seu próprio corpo! Após sofrer um derrame cerebral, o personagem principal, Jean-Dominique Bauby, um editor de uma famosa revista francesa, fica paralisado dos pés a cabeça e só consegue mover o olho esquerdo, um caso raro da Síndrome do Encarceramento (Locked-in Syndrome).

Sim, o filme é uma lição de vida, um soco no estômago, uma história de superação... mas não cai no lugar comum. Inicialmente, Bauby se recusa a aceitar seu destino, no entanto, com o passar do tempo ele percebe que apesar de ter o corpo estático, sua memória e imaginação continuam em movimento e o leva a conhecer coisas, pessoas, sentimentos e lugares que jamais conheceria no estilo de vida e com os valores que prezava antes do fatídico dia em que perdeu-se dentro de si. Poético, não?! Tudo isso é contado por meio de um efeito de câmara subjetiva em que o espectador vê com os olhos do protagonista, enquadramento de cenas e edição de imagens impressionantes, além de um trilha sonora da melhor qualidade, é claro (adoro trilhas!).

Mais eis o que mais chamou minha atenção sobre o filme, tendo em mente que a história é verídica: Jean-Dominique Bauby viveu por um longo tempo sem nem ao menos poder falar, encerrado em um verdadeiro casulo. Para se comunicar, ele piscava o olho esquerdo uma vez para dizer "sim" e duas vezes para dizer "não" e, mais tarde, utilizou um alfabeto em ordem de pronúncia das letras. Ele piscava a cada som que lhe servisse, formando palavras letra por letra, sempre com a ajuda de intérpretes. De palavras, chega a frases e das frases aos parágrafos até ditar um livro inteiro: as suas memórias, que dão nome ao filme.


Imaginem! Escrever um livro com piscadelas! A capacidade de comunicação do ser humano nas mais impensáveis situações é realmente impressionante. Essa necessidade de se comunicar é tão intensa que, mesmo na solidão, o homem é impulsionado a exteriorizar divagações interiores, se não em voz alta, o que o levaria a falar consigo mesmo, escrevendo, o que lhe permite documentar suas reflexões e sensações. Hoje, as maneiras de “falar” ao outro são tantas, que não conseguimos imaginar o mundo sem a linguagem ou sem o texto literário, como forma de expressão da linguagem. Um dia desses, ainda haverei de me tornar borboleta e escrever meu livro. Enquanto isso, de post em post, já posso sentir o cheiro da liberdade que me trarão as asas.






Assista também:


Scoop - O grande furo (Sinopse / Trailler)

Desejo e Reparação (Sinopse / Trailler)

Juno (Sinopse / Trailler)

Good bye, Lenin (Sinopse / Trailler)

Persépolis (Sinopse / Trailler)

domingo, 21 de junho de 2009

Engrosso o coro



Qual o interesse em boicotar a profissão? Ser jornalista, definitivamente não é como descascar batatas...


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"O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (17) derrubar a exigência do diploma para exercício da profissão de jornalista. Em plenário, por oito votos a um, os ministros atenderam a um recurso protocolado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal (MPF), que pediam a extinção da obrigatoriedade do diploma.

Em seu voto, Gilmar Mendes sugeriu que os próprios meios de comunicação exerçam o mecanismo de controle de contratação de seus profissionais. Ele comparou ainda a profissão de jornalista com a de chefe de cozinha. 'Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área' comparou.".

Leia mais

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Cuidado, pode ser contagioso!

  • O contexto
Mãos brancas, braços fortes, ombros largos. Eu já o tinha notado antes no saguão de embarque. Sentei-me na poltrona vazia ao seu lado. Ele ocupava a da janela.

- Com licença, boa noite! - eu disse.
- Boa noite! - ele respondeu educadamente, abrindo um belo sorriso.

Foi o suficiente para que, em poucos segundos, eu nos imaginasse passeando de mãos dadas, dividindo a pipoca no cinema e fazendo planos para o futuro ao pôr-do-sol...

"Engraçada, para não dizer ridícula, e até muito incoveniente essa necessidade que o ser humano tem de afeto", pensei.

Mas a viagem era longa. Nem um dos dois tinha sono. Conversamos durante todo o percurso sobre assuntos como o tempo, o motivo de nossas viagens, a gripe suína... (Hein?! Calma, eu explico).

Saímos juntos do aeroporto e, ao nos despedirmos, trocamos contatos.

Nunca mais o vi, mas me senti menos só naquela noite.

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  • A viagem
Qual o outro lugar socialmente instituído que melhor representa o ritmo e as particularidades da sociedade contemporânea? Os aeroportos são os pontos de convergência e também de difusão das práticas e vivências da vida (pós)moderna.

E não estou falando disso somente por conta da nova epidemia mundial de gripe suína. Bastou o breve momento em que o vírus encontrou o ar daquele ecossistema de vida pulsante e acelerada pela primeira vez para se proliferar rapidamente e ganhar o mundo sem nem precisar de passaporte.Percebi que, cada vez mais, atualmente, as experiências individuais, embora fragmentadas, se tornam instantaneamente globalizadas. Pessoas que nunca se viram ou que mal se conhecem relacionam-se entre si ou estão de alguma forma conectadas, se não pela carência emocional que têm em comum, pela propensão de suas vias aéreas em hospedar vírus altamente contagiosos, ou por qualquer outra coisa parecida.
  • O retorno
Mas o vírus já está quase mundialmente controlado. Localmente, minha recaída por afeto também. Fica a certeza de que as relações e as tendências contemporâneas são de natureza volátil e inconstante. Surgem e se diluem com a mesma facilidade de nuvens que se desmancham no ar.

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Pelo menos escapei da gripe suína... :p

Rsrsrs, viajei nesse post!!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Uma trajetória de amor ao texto*

Lembro-me de quando ainda mal sabia ler e escrever. Em uma investida curiosa para desvendar os mistérios da Língua Portuguesa, o que mais me chamava atenção na minha infância precoce, mesmo em histórias em quadrinhos e livros com gravuras, eram aqueles sinais gráficos encadeados que formavam linhas retas em perfeitas combinações silábicas. Demorei pouco para, a partir daí, apreciar não somente a palavra como estrutura da escrita, mas também, e principalmente, como um símbolo dotado de sentido, rico em significante e significado, pequena parte de um todo muito mais complexo. Foi dessa descoberta da língua como palavra e da palavra como recurso semântico, sonoro e formal que nasceu a minha relação com o texto, seja como manifestação lingüística, seja como forma de interação cultural ou meio de expressão e comunicação.
Com o tempo aprendi que o texto poderia ser escrito ou oral, construído com palavras ou até mesmo de maneira não-verbal. Meu interesse, então, foi crescendo e, logo, uma simples curiosidade de criança, tornou-se aspiração profissional. Assim, deparei-me com o primeiro grande dilema da minha carreira: a escolha do curso universitário. Sabia que a minha paixão pela língua, a facilidade com a escrita e a admiração pelos grandes escritores me impulsionavam ao curso de Letras, mas a minha vontade de ir além da estrutura lingüística, da forma e do conteúdo e entender o processo de criação do texto enquanto mensagem, compreendida como instrumento de sociabilidade, levou-me a optar pelo curso em que melhor me permitiria estudar os fenômenos de produção e transmissão de sentido: Comunicação Social.
Dessa feita, iniciei meu percurso acadêmico no ano de 2003 como estudante de Comunicação. Encontrei muitas teorias por meio das quais pude estabelecer a relação que buscava no que consiste em estudar o texto como fenômeno sócio-comunicativo, como as Teorias da Comunicação, Teorias da Cultura e do Contemporâneo, Análise do Discurso. Na prática, por meio das disciplinas laboratoriais, pude continuar exercendo a escrita e, assim, desenvolver minha predileção pelo jornalismo impresso e pelas técnicas de construção do discurso textual enquanto produto midiático com finalidade comunicativa. Infelizmente, a grade curricular do curso não me permitiu o contato com as particularidades do texto e da Língua Portuguesa enquanto fenômenos lingüísticos. Ainda assim, os estágios aos quais candidatei-me e ingressei sempre estiveram relacionados com a produção, redação e edição de textos.
Rapidamente, então, vi por encerrados os quatro anos de duração do curso e, em 2007, obtive o título de Bacharel em Comunicação com habilitação em Jornalismo. E, valendo-me do motivo que levou-me a optar pelo curso de Comunicação ao de Letras, minha pesquisa de conclusão de curso se propôs a abordar a maneira como o campo dos media, na contemporaneidade, interfere nas formas de sociabilidade e comunicabilidade, modificando as noções de espaço público e privado, bem como ocupando lugares simbólicos que não são aqueles próprios de sua natureza, na tentativa de oferecer ao sujeito social possibilidades de se fazer subjetivamente representado (e/ou projetado) a partir dos serviços prestados através de seus produtos.
Ao encontrar-me graduada diante dos desafios do mercado de trabalho no campo da Comunicação Social, vieram-me à mente questionamentos acerca de meu papel como profissional. Foi quando percebi o quanto a minha dedicação à técnica me privou da reflexão teórica e me afastou da academia. Estava eu formada, com experiência restrita e exercendo um jornalismo pouco comprometido com a função social de informar, educar e entreter, inerente à comunicação enquanto ciência. Decidi, então, abandonar a segurança da carteira assinada e aventurar-me em novas experiências. Trabalhei como free lancer em diversas assessorias de comunicação, institucionais e empresariais, em agências de relações públicas e até jornais de grande circulação local. Nesse ínterim, estudava para prestar concursos públicos que ofertassem vagas para jornalistas.
O meu desejo em poder exercer minha profissão de modo a fazer jus à função social de informar, educar e entreter, mais do que a de vender, que é a máxima do apelo midiático do século XXI, fez-me optar sem sombra de dúvida pela Comunicação Institucional voltada à divulgação científica e extensão universitária. O fato de estar novamente no ambiente acadêmico, portanto, inspirou-me a buscar aperfeiçoamento científico e qualificação profissional, como uma oportunidade de resgatar minha paixão pelo texto e encarar a face do fenômeno lingüístico a que me privei de estudar ao optar pelo curso de Comunicação. Afinal, a Língua Portuguesa é a matéria-prima dos textos que diariamente minha profissão me requer produzir.

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*Meu único e verdadeiro amor ;)

Trechos do memorial descritivo que submeti à aprovação para ingresso em curso de especialização em Língua Portuguesa... Já aproveitando para manifestar aqui um protesto sobre o fato de não haver disciplina voltada para essa questão, nem em caráter instrumental, na maioria das grades curriculares dos cursos de jornalismo das universidades brasileiras.