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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A minha versão dos fatos


Dando certa continuidade ao post anterior, quero falar um pouco mais sobre esse novo, que nem é tão novo assim, espaço de comunicação oportunizado pelo avanço da tecnologia: os blogs. Criados em 1999, os diários on line, como são chamados, ganharam adeptos em todo o mundo, sendo o Blogger.com, mais conhecido como blogspot, o principal expoente do movimento Weblog no planeta, com mais de 15 milhões de usuários cadastrados.

Na minha pretensão de investigar o assunto para um futuro projeto de mestrado, já até aprendi algumas coisinhas interessantes. E, para minha surpresa, esse mês, fui convidada a relatar minha experiência com o Repórter de Sandálias em uma mesa redonda sobre "Blogs: tecnologia, comunicação e moda". Imaginem só, euzinha! A única coisa que sei sobre moda é que não se deve usar top com calça da Gang numa entrevista de emprego. Mas de comunicação, digamos, eu entendo um pouquinho.

Enfim, aceitei o convite. O Repórter de Sandálias não é nem um campeão de acessos e a minha caixa de comentários jamais excedeu a metade de uma dezena (eufemismo para o número 5). No entanto, é um blog e, com ele, dá para se ter uma ideia sobre esse novo estado de coisas que nos permite produzir e consumir informações através da internet. O que estamos presenciando é o nascimento de uma cultura de massa vitaminada pelas potencialidades da World Wide Web. E se você não pode ir contra ela, é simples: junte-se a ela e torne-se um blogueiro você também!

O movimento da maré é exatamente esse. A cada dia, 75 mil novos blogs são criados na rede sobre os mais variados assuntos: jornalismo, literatura, esporte, religião, moda, culinária, cinema, política, artes... uma gama enorme de editorias que deixam qualquer jornalão ou revista de variedades no chinelo (ou sandálias, se preferirem). É nesse sentido que eu diria que os blogs são espaços, sobretudo, democráticos porque permitem a qualquer um ter o seu quinhão no ciberespaço e a todos terem qualquer tipo de informação, podendo, inclusive, comentar sobre elas (menos no blog do presidente Lula, onde não há espaço para comentários do leitor: medo de ser criticado, talvez?!).

Ter ou ler um blog, portanto, significa tornar-se público, seja como produtor seja como consumidor da informação, além de estabelecer um canal de interatividade e interconexão de saberes, ideias ou pontos de vista, que podem ser compartilhados ou contrariados, por internautas do mundo inteiro (vá lá, pelo menos do Brasil, quiçá de Portugal: acesse aqui o mapa de acessos do Repórter de Sandálias).

Sem querer antecipar tudo o que eu pretendo falar durante a mesa-redonda para não ser colocada a prova por universitários sedentos de conhecimento (minha Nossa Senhora das mãos suadas, voz engasgada e joelhos tremelicantes há de me ajudar!), ouso dizer que os blogs, hoje, oferecem-se como alternativas de divulgação aos padrões engessados e, às vezes, inatingíveis, "ofertados" pela grande imprensa e a mídia em geral.

Mas, cuidado! Embora a ferramenta (ou canal) possibilite a parcialidade e o relato subjetivo da realidade, é preciso estar atento ao feeling de abordagem para não se aventurar com textos (ou posts) por demais egocêntricos. Se você não é a Luly, a Glória Kalil ou o Paulo Coelho (grande coisa!), concentre-se em "blogar" sobre assuntos que avalie como sendo de interesse público. Ainda que seja você a primeira pessoa do seu texto, é o leitor que sempre tem razão.

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A mesa-redonda "Blogs: tecnologia, comunicação e moda" faz parte da programação do Café com Moda, que ocorrerá na Unama da Alcindo Cacela, na próxima segunda-feira, dia 14, às 19h. Não apareça! Rsrsrrs!


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Continuo usando sandálias

Alguns sonhos destruídos, ideais vendidos e romantismos superados mais tarde... eis-me aqui. Uma das poucas paraenses felizardas que pode dizer: jornalista, sim! Desempregada, não! Conquistei meu espaço no funcionalismo público e descobri meu talento no jornalismo institucional. Exatamente, por isso, exerço a profissão, sim, mas continuo usando sandálias. Não apenas por uma questão de estilo e conforto, mas também, e principalmente, pelo desejo que sempre existiu dentro de mim em subverter a ordem, empunhar bandeiras de luta e constestar injustiças sociais. Por favor, não pensem que eu me enquadro no estereótipo do servidor acomodado e desocupado que cumpre carga horária tomando cafezinho e batendo papo nos corredores da instituição, de pernas para o ar. Longe de mim!

Politicagens e pieguices a parte, já tendo revelado meus próprios preconceitos inrrustidos, confesso que acho até muito o blog que criei com o objetivo de não me render à vagabundagem e ao sedentarismo enquanto me encontrava sem emprego e sem esperanças de um dia alcançar o mais alto cargo nas Organizações Globo de Jornalismo, ter resultado em míseros três posts, jamais lidos e jamais comentados. Mas, agora que consegui meu lugar ao sol, achei que deveria voltar-me para o passado e resgatar alguns dos antigos pensamentos que deixei soltos, engavetados e perdidos no mundo virtual.

A idéia original do blog não foi ruim. Minha proposta era a de apresentar aqui um jornalismo ou questões referentes ao fazer jornalístico com um outro olhar, a saber um olhar desinteressado, mas nem por isso acrítico, acerca da realidade da profissão e a relação desta com a sociedade, além, é claro, de ocupar minha mente com alguma atividade produtiva e racional, que me obrigasse a não me habituar aos inegáveis prazeres do ócio, pois, como todos sabem, "mente vazia é oficina do diabo".

De volta ao mercado de trabalho e, melhor ainda, ao ambiente acadêmico, arregaço as mangas e me proponho a retomar a iniciativa, já partindo da reflexão sobre como os valores pós-modernos interferem nos diferentes espaços em que a Comunicação atua atualmente. O tema prioriza o que estamos vivendo hoje. Antes, a Comunicação ficava restrita a uma folha de jornal, a uma freqüência de rádio ou a uma tela de TV, e pronto. Agora, com o advento do computador e a expansão da internet, isso muda. Cada vez mais, os métodos utilizados pra comunicar são inúmeros: celular, msn, orkut, blogs...

Daí, vem a revolucionária conclusão: a produção de conteúdos através da web é a salvação de gentes alternativas e desocupadas como eu, que insistem em usar sandálias no dia-a-dia das repartições públicas e que tem na arte de escrever a sua única e verdadeira paixão na vida. Sim, sou funcionária pública. Sim, sou jornalista. Mas, principalmente, SIM, sou cidadã do século XXI e me beneficio dos avanços do meu tempo para usar das novas formas de comunicar que a tecnologia me oferece. Hoje, minhas atitudes são medidas em bytes; minhas palavras se decodificam no formato on line; meus pensamentos são instântaneos e informatizados; e minha memória é totalmente virtual. De real mesmo, neste momento, só as minhas sandálias e o meu imenso tempo livre.