Mostrando postagens com marcador Outros Discursos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Outros Discursos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Quem inventou o amor?

Hoje eu gostaria de refletir sobre o amor, começando por dizer que amor que é amor não se importa com coisas pequenas, as coisas fúteis da vida, sabe, aquelas passageiras?!

O amor que é amor permanece acima de tudo, acima dos quilos a mais, acima das incompatibilidades de gostos, valores e personalidades.

O amor é cheio de beleza, o que eu amo é belo, independentemente da cor, da forma, dos adereços. Ele também me deixa ser o que eu quiser, como eu quiser, e me ama assim mesmo.

Amor que é amor é flexível, para que caiba nele ainda mais amor. É paciente, é bondoso, é compassívo... Qualquer semelhança com Coríntios 13 não é mera coincidência: é amor! Existe desde que o mundo é mundo e é bíblico.

Amor que é amor é aquele que vem de duas partes, é dois em um, um mais um igual a uma dupla de um: dois corpos, dois corações, mas um só sentimento. É a dor de um que dói no outro, na mesma medida... Não tem fórmula, nem lógica!

É fazer tudo, mas TUDO, junto, sem se enjoar da sua companhia. É se amar tanto ao ponto de querer amar o tempo todo e, nas horas vagas, amar mais.

O amor que é amor é realmente grande, ENORME, do tamanho de 1001 galáxias e mais o infinito, para que nele haja bastante espaço para a compreensão.

O amor está na pele, no brilho do olhar, na textura do cabelo e na extensão do sorriso de quem ama e se sente amado, de quem é verdadeiramente amado, de quem tem todo o amor do mundo. É um eterno aprendizado.

Amor que é amor não deixa lacunas, pelo contrário, completa, preenche os vazios, ele não cobra, não deixa sofrer, não deixa só, ele se preocupa igual e busca a solução em conjunto.

O amor não é mesquinho, é generoso, por isso, ele não se sacrifica, ele se doa, se dá, sem esperar nada em troca. Ah, mas ele também não se planta, viu?! Brota, assim mesmo, do nada - até entre duas pedras - e vive. Mas é preciso regar para crescer, florir e gerar frutos.

Ele é mesmo piegas, meloso, cheio de açúcar, previsível e até lugar comum, mas também sabe surpreender e deixar zonzo de tanto amor. Embora seja, ou pelo menos deveria ser, mais emocional do que físico, mas sobre isso Rita Lee já refletiu muito bem.

E as comparações poderiam continuar ad infinitum, mas amor que é amor não se reduz a metáforas. Ele fala por si mesmo. Percebeu? Ele FALA, não guarda segredos, desabafa, discute relação!

O amor conversa, não manda recados, mas, às vezes, é inevitável até para o amor, mas só para o amor que é amor, porque esse é complexo, é profundo, é contraditório, embora constante... nunca foi fácil, em nenhuma geração... Ou, talvez, seja tão simples, mas tão SIMPLES, que acaba se complicando de tanta simplicidade!

Amor que é amor aceita, perdoa, releva... é amor até debaixo d'água, no meio de um incêndio, sob tempestades e tufões. O amor prevalece SEMPRE!

Mas isso não é uma declaração de amor, embora eu ame e AME MUITO! Isso é só uma forma de eu perceber que eu ainda não sei amar e de como eu gostaria de ser amada dessa forma...

Mas o amor não tem forma, lembra?

E voltamos, de novo, ao princípio...

Quem inventou? ME EXPLICA, POR FAVOR!!!!



Quer saber? Não tem explicação!! É O AMOR!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O baú das lembranças

Às vezes é inevitável ir lá no velho baú de prata onde ficam as lembranças. Lembro da época em que a atual Av. Rômulo Maiorana sequer era asfaltada, só um monte de piçarra e barro batido. O fim da 25 de Setembro, conhecida pelas curvas em S ao redor dos grandes canteiros que serviam às brincadeiras infantis nos fins de tarde.

Não passavam ônibus por lá, mal passava gente: era só os fundos do Bosque, hoje, Jardim Botânico Rodrigues Alves. O tempo passou e foram muitas as mudanças. A rua mudou, inclusive, de nome para homenagear o fundador de um dos principais jornais locais de Belém, que tem sua redação e ilha de impressão instaladas em um de seus quarteirões. 

Atualmente, carros e ônibus disputam espaço por lá. Várias pessoas também disputam a vez nos aparelhos da academia ao ar livre ou, simplesmente, o calçadão do Bosque (para mim sempre será Bosque), que serve a caminhantes e a quem está a caminho. Lá, as crianças vão tomar o sol da manhã e os idosos vão fazer seus exercícios.

Até mesmo alguns dos animais que tem no Bosque um refúgio vêm, vez ou outra, olhar o movimento da Avenida. "Olha a fruta, freguesa!". E, rápido, os macaquinhos aparecem para ganhar o seu quinhão. Entre um passo e outro, é só olhar para cima: lá está uma preguiça, no alto de uma das árvores centenárias. Com o ouvido e olhar atentos, através da grade mesmo, percebe-se também cotias e tatus se esgueirando na mata.

Belém tem 396 anos. Já o Bosque Rodrigues Alves foi fundado em 1883 no bairro do Marco, assim chamado pelo fato de ter sido considerado a primeira légua de crescimento de Belém, delimitando a área da cidade, até então, o ponto mais distante de urbanização já atingido, se considerado o atual centro histórico, onde nasceu a morena do Grão Pará. Hoje, a Região Metropolitana vai bem mais além, envolvendo os municípios de Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara e Benevides.

Eu cresci junto com esse bairro. Aliás, o Bosque me viu crescer. Passeios de domingo, Dia das Crianças, excursão da escola... No presente, sou eu que levo minha sobrinha para ver lá o peixe-boi, um único exemplar da espécie, naquele pedacinho de Amazônia bem no coração da Metrópole, um refúgio de paz em meio a uma das ruas mais movimentas da cidade, a Av. Almirante Barroso, paralela à Av. Rômulo Maiorana.

Apesar de já ter perdido seus dias de glória, o Bosque permanece sendo bastante visitado e recebe as crianças que ainda não foram totalmente arrebatadas pelos DVDs, vídeo games e jogos virtuais. Quero um dia poder levar meus filhos até lá e contar histórias de encantados: o curupira, a sereia Iara, o boto..., no Bosque, têm até monumentos.

Lembro de um episódio da minha infância em que, em um belo dia, foi parar em minha casa um jabuti. Era fêmea e a batizamos de Tieta. Ela só ficava no quintal, no seu ritmo lento de vida. Minha irmã, ao tentar segurá-la, assustou-se e a deixou cair, quando quebrou um pedacinho do seu casco. Alguns dias depois, Tieta não estava mais no quintal. Meu pai disse tê-la levado para morar no Bosque, talvez, uma desculpa para não dizer que, na verdade, a levou para a panela.

Durante muitos dos meus anos de criança, fui ao Bosque para visitar Tieta. Ainda hoje, quando vou por lá, é inevitável procurar com o olhar, nos lagos de água encardida, um jabuti de casco lascado, é inevitável não abrir o baú de prata onde ficam as lembranças...

****

Atrasado, mais a tempo de marcar o mês de aniversário de Belém (12 de janeiro).

:)

sábado, 2 de julho de 2011

Dolce far niente

É até clichê utilizar o espaço dos blogs para falar sobre os pequenos prazeres da vida, mas, com tanto trabalho, ultimamente, apenas consigo pensar o quanto é prazeroso acordar em uma manhã de sábado e não ter absolutamente nada para fazer. Claro que esse não é o meu caso, tanto que até escrever no blog, um dos pequenos prazeres a que sempre gostei de me dedicar, tem ficado cada vez mais difícil.

A verdade é que sempre vivemos as fases de nossas vidas na expectativa de poder chegar logo na próxima. Por exemplo, hoje lembro com saudade dos tempos de colégio, quando a responsabilidade resumia-se ao dever de casa, após o soar da campa de saída. Tinha tardes inteiras para assistir "vale a pena ver de novo", comer brigadeiro de panela e fofocar ao telefone com as amigas. Para as provas bimestrais, nada que uma lida de véspera no resumo das matérias não resolvesse.

Na época, o que eu mais desejava era completar logo os 18 anos e entrar na faculdade. Não vou negar que a maioridade também tem os seus prazeres, mas, daí para as responsabilidade maiores é um pulo só. Tão logo nos formamos, temos que arrumar o emprego ideal e ser alguém na vida. Mas isso não basta. Depois, temos que fazer pós-graduação, estudar para concurso, organizar casa, casamento e ter filhos... Faz anos que não sei o que é assistir sessão da tarde com um balde de pipoca no colo! Hoje percebo o quanto eu era boba ao reclamar disso, dizendo: "mãnhêêê, não tem nada pra fazer....". A resposta vinha sempre com um "vai lavar louça, minha filha, arrumar o quarto, varrer a casa...". Isso não vale!

Para seguir o curso natural das coisas, talvez no futuro eu me arrependa, mas, a fase que estou vivendo agora me faz, desde já, ficar ansiosa pela aposentadoria, quando poderei desfrutar como nunca dantes, bem ao estilo italiano, o doce prazer de não fazer nada :)

"Eu quero uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz e tenha somente a certeza dos limites do corpo e nada mais...".

sexta-feira, 4 de março de 2011

A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar


Mais um caso de morosidade da justiça


Vou fugir um pouco do estilo do blog para tratar de um assunto um tanto quanto denso, mas que não pode ser silenciado. Não podemos deixar as injustiças tomarem conta de nosso Estado, principalmente quando são cometidas pelos próprios órgãos que deveriam, ao contrário, garantir os direitos dos cidadãos... Leiam, comentem e divulguem para o máximo de pessoas que puderem. Vamos combater essa Justiça injusta que não atende os interesses da maioria!!!

*****

TJE protela nomeações de concursados e Oficiais de Justiça prometem paralisar suas atividades

Oficiais de justiça do Estado do Pará prometem paralisar suas atividades por tempo indeterminado. O motivo é o atraso na contratação de 30 novos oficiais aprovados em cadastro de reserva no concurso público realizado no ano de 2009 pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE-PA). Somente em Belém e região metropolitana, há, atualmente, um déficit de 130 oficiais e 150 cargos em vacância. Após uma série de acordos entre as duas partes descumpridos pelo TJ desde janeiro de 2011, a última promessa foi a de que as nomeações sairiam no dia 1º de março, mas nada aconteceu.

Segundo o presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Pará (Assojupa), Edvaldo Lima, em sete meses, houve mais de 30 reuniões da categoria com a presidência do Tribunal e representantes de suas corregedorias e secretarias de Gestão, Planejamento e Recursos Humanos. Primeiramente, o TJ alegou a necessidade de realizar concurso de remoção. “O concurso já foi realizado, a sobra de vagas continua, já há recursos disponíveis, e o Tribunal permanece em silêncio quanto às nomeações. Não há mais motivos para protelar a reposição e contratação de novos profissionais, a não ser a morosidade que o próprio judiciário protagoniza”, afirma o líder da categoria.

A previsão orçamentária do TJE-PA para 2011 soma a quantia de R$ 51.780.458,76. Comparado a 2010, quando o orçamento foi de R$ 41.992.760,42, são quase R$ 10 milhões a mais. O suficiente para arcar com as novas contratações (dados disponíveis em http://www.tjepa.jus.br/portalDaTransparencia/tjpa/).

O edital (nº002/2009) do último concurso para o TJE antevia a provisão de aproximadamente 270 vagas nas mais diversas áreas. Para oficiais, as vagas foram ofertadas somente em caráter de cadastro de reserva. De 288 candidatos a oficiais classificados no concurso, apenas 7 foram nomeados para comarcas do interior. Em contrapartida, no início de 2011, cerca de 60 oficiais deixaram livres seus cargos, em Belém, por motivos de exonerações, aposentadorias ou falecimentos e não foram substituídos.

Em todo o Estado, há 400 oficiais de justiça em atuação, quando, segundo o presidente da Assojupa, o ideal seria, pelo menos, o dobro, ou seja, 800 oficiais. “Em caráter emergencial, de maneira alternativa, seriam necessários 60 oficiais, sendo 30 para a capital e 30 para o interior do Estado, para cobrir o déficit e diminuir a sobrecarga desses profissionais”, ressalta Edvaldo Lima.

De acordo com o oficial, a falta de servidores para a categoria tem gerado diversos transtornos e prejuízos. Dentre os transtornos, a maioria para o próprio servidor, está a sobrecarga de trabalho, que tem provocado problemas psicológicos como depressão e baixa-estima, além de danos físicos e de saúde por conta do cansaço e esforço excessivo. “São inúmeros os casos, por exemplo, de mandatos empreendidos contra oficiais de justiça que não deram conta de executar todas as ordens judiciais pelas quais tenham ficado responsáveis”, relata Edvaldo. Já os prejuízos se refletem contra o próprio Tribunal, que prefere pagar hora extra aos oficiais em atividade e remarcar audiências do que contratar novos profissionais. O edital 002/2009 tem validade até junho de 2011.



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O lugar onde eu nasci

A lembrança mais antiga que eu tenho é uma em que vejo as coisas do alto, onde tudo é daquela textura translúcida, da mesma matéria que compõe os sonhos. Na verdade, ainda hoje não tenho certeza se realmente é uma lembrança ou se é um daqueles sonhos que temos e que, ao acordarmos, teimam em permanecer na nossa alma como memória de algo que vivemos em um passado distante, que não conseguimos localizar no tempo e no espaço.

Nesta lembrança, é como se eu estivesse no colo de minha mãe em um final de tarde primaveril. Estamos passeando em uma rua asfaltada, mas cercada de verde. Meu irmão anda ao lado e puxa por um pedaço de barbante um carrinho de madeira. Em uma casa próxima, há uma garota na janela de um segundo andar, que joga pétalas de flores sobre nós quando passamos por perto.

Comentei algo sobre isso com minha mãe já tem um tempo e ela me explicou que a rua era onde ficava nossa casa, quando morávamos em Manaus (AM), o lugar onde nasci, e que a garota que jogava flores era a nossa vizinha, namoradinha do meu irmão, na época com quatro anos de idade. Será que ela falou isso para instigar ainda mais a minha imaginação??? Independentemente dessa resposta, a lembrança está instalada em minha memória como um fato real.

Com efeito, nasci em Manaus. Um daqueles episódios de nossa vida sob o qual não temos gerência nenhuma, mas que são decisivos para nossa existência, como o lugar em que nascemos, o nome que levamos, a denominação religiosa em que somos batizados... Nasci apenas, e nem sequer tive chance de ter consciência de quem eu era e onde estava, fui arrebatada de lá para outro lugar: Belém (PA) e é como se aqui tivesse nascido, pois foi aqui que me identifiquei como um ser no mundo, que me tornei uma estatística e ocupei um lugar no espaço.

De Manaus, apenas criei lembranças e sonhos. Lembro de uma casa grande, branca, tinha três pátios, cada um com o chão de uma cor diferente: vermelho, azul, branco... A cozinha era de um tom laranja-tijolo, os utensílios eram vermelhos, da cor do fusca em que meu pai nos levava para passear. Tínhamos um quintal em que minha mãe armava uma piscina de plástico aos domingos. Meus avós, que moravam em um conjunto residencial chamado Jornalista, vinham nos visitar com frequência. Coincidência ou não, hoje eu sou jornalista...

Não tenho registros mentais de ter estado quando criança na Ponta Negra, no Teatro Amazonas ou ter testemunhado o encontro das águas do Rio Negro com o Rio Solimões, mas é como se esses lugares fizessem parte de mim de tanto ter ouvido falar neles, pois pertencem ao lugar onde eu nasci. O caso é que até pouco tempo havia uma Manaus na minha memória do jeito que eu a havia criado e que tantas vezes eu visitei em sonhos infantis e outra, a que realmente existe e que constitui a capital de um estado da federação brasileira: o Amazonas, sobre o qual eu apenas conhecia de livros e das conversas de meus pais.

Conheci, de fato, o lugar onde eu nasci aos 25 anos. A cidade deve ter mudado desde o tempo em que a habitei, antes mesmo de completar o meu primeiro ano de vida. Percebi que o lugar é bem mais do que a casa com os três pátios, o quintal e o conjunto residencial dos meus avós. Ela também não tem nada dos estereótipos criados pelos livros preconceituosos que a figuram como um lugar de florestas, animais selvagens e índios por toda a parte. A Manaus real entrou em choque com a Manaus da minha memória e a Manaus que gostariam que ela fosse.

Gostei de tê-la conhecido, mas não tenho certeza se poderei substituí-la dentro de mim. Prefiro guardar a imagem fantasiosa que eu mesma criei, do que carregar na alma a concretude de uma metrópole que não tem nada de diferente das outras. O lugar onde eu nasci era especial, tão especial que nem mesmo sabia como ele era. Desvendá-lo, é como desencantar uma parte de mim que só existia no devaneio e na imaginação e, por isso, era mais bela e mais pura.

Benditas as coisas que não sei
Os lugares que não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas

Esse post tem trilha sonora,
clique aqui.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

1/4 de século

Depois de muito tempo, hoje, olhei pela janela e vi a grama mais verde, viva, e não seca. Os campos floresceram. Após muitos anos de inverno, cheguei na prinavera de minha vida e, neste dia tão especial, completo 25 anos... Kkkkkkk, fala sério!!!!

Parece até piada de 1º de abril, porque, quem me conhece sabe que eu sempre odiei fazer aniversário. Ficção ou realidade, o período da data do meu nascimento, muitas vezes, representou para mim um verdadeiro inferno astral.

Mas é verdade que, dessa vez, não estou tão abalada por estar envelhecendo. Ainda que a força do hábito me obrigue a lamentar um pouco e arrepiar com o agouro do azar que já me fez adoecer, pegar chuva e ficar no prego na estrada quando deveria estar ganhando presentes e "parabéns pra você", sinto-me feliz.

"O futuro não é mais como era antigamente", como diria Renato Russo. Atingi alguns objetivos, realizei alguns sonhos e a vida, enfim, se tornou mais leve. Certas pessoas dirão que pode ser culpa do amor, outras diriam que estou amadurecendo, ou quem sabe, ambos os motivos.

Continuo com medo de envelhecer, a solidão ainda me assusta, outros sonhos permancem por realizar, mas, esse ano, decidi tentar a técnica do pensamento positivo: "mentalizar coisas boas atrai coisas boas". E assim pretendo levar minha vida deste 1/4 de século em diante.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Esse rio é minha rua

Dizem que às seis horas da tarde os rios da Amazônia não pertencem a ninguém, a nenhuma criatura humana. É nesse horário que a natureza toma conta das águas e liberta os encantados. Como que, ainda hoje, a cultura amazônica pode ser tão povoada por narrativas míticas e de cunho fantástico?

Em um ritmo alheio ao de qualquer grande cidade, a Ilha do Marajó é um paraíso verde, banhado por ondas insalubres, da cor de terra molhada. Lá, a subsitência provém da natureza, do que permite o clima, da consistência do leite de búfala, que depende da quantidade de chuvas que cai e da cheia dos rios, que fazem render o capim, as mangas, os peixes, os tucumãs...

Até o
boto acompanha os pescadores somente na hora da chuva, ele vai mostrando o caminho, como se fosse o momento em que o céu abençoasse as águas. Mas quando o barco é forasteiro, ele brinca, engana, trapaceia, mete medo... Cinco dias na ilha, cinco dias em que fiquei com os olhos atentos para ver nem que fosse de relance essa criatura tão cercada de significados.


Mesmo sendo amazônida, eu compreendo porque, talvez, o boto me tenha visto como estrangeira naquelas terras marajoaras. Sou gente de zona urbana, da turma que chega fazendo barulho e mudando a paisagem.

Ainda que saiba admirar as belezas do lugar, não pertenço a ele, meus costumes são outros, meus valores não são os mesmos do povo de lá. Se para mim o rio é rua, para o marajoara é o peito, é a alma, é essência de vida e fé. Quisera eu merecer, um dia, desvendar os encantos dessa maré.

Esse post tem trilha sonora, clique aqui.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Metrópole em desconstrução

Entre o corredor de mangueiras paraense e o corredor de concreto paulistano, não preciso nem dizer qual deles eu prefiro. Estas, sem dúvida, são as férias mais estranhas que já tive. São Paulo é uma metrópole em desconstrução. Sabe o estereótipo das milhares de pessoas andando apressadas de um lado para o outro, os rostos tristes e cansados no metrô, os arranha-céus e o amanhecer cinza e carregado que compõe a imagem mental da maioria quando se refere à capital brasileira do consumo? São paulo é exatamente assim.


A única coisa que se faz nessa cidade são compras, além do disfrute de uma vida boêmia até divertida, porém vazia, que resulta nas olheiras dos rostos tristes e cansados que se vê no tal do metrô, formando um ciclo autodestrutivo, principalmente se somado aos intervalos de almoço que mal permite tempo para um fast food, sem falar nas horas gastas no trânsito, seja em congestionamentos monumentais, seja simplesmente se transportando, pois para todo lugar que se vai é preciso, no mínimo, andar três quadras de ladeiras, pegar dois ônibus e um metrô.

O custo de vida aqui é altíssimo, não se gasta menos de R$ 15 em um almoço que não te faça estar esfomeada novamente às 15h. E isso não é a toa. As pessoas trabalham como condenadas para poder arcar com esse custo e, claro, poder comprar mais e mais. Roupas, sapatos, bolsas, relógios, perfumes, cosméticos, óculos escuros, óculos de grau, eletroeletrônicos de todo o tipo, cortador de pêlo de nariz e orelha, raquete matadora de insetos, soutian com peito falso de silicone... tudo se encontra na Rua 25 de Março e não apenas nela, são várias as ruas onde, nessa cidade, apenas se vende e apenas se compra... prato cheio para os chineses que vêm comercializar aqui os made in da vida e faturar com consumidores enlouquecidos. Tudo é muito barato, tudo em liquidação, as melhores marcas e as imitações das melhores marcas, cópia da cópia, simulacro do simulacro com 50% de desconto. E lá está você caindo na armadilha!

Aqui as pessoas acumulam coisas e são movidas pela ilusão do consumo, o fetiche da posse e o prazer do ter e não dividir com ninguém. E a desigualdade social é gritante: a cada esquina um mendigo, dois, três, famílias inteiras fazendo residência nas calçadas e praças do centro mal cuidado, quando não são jovens entregues ao crack. Qual a outra opção, vender falsificados na 25 de março? Cuidado com o rapa!


Mas dentre tantos pontos negativos, existem os positivos. Não há tanto lixo nas ruas, os motoristas de ônibus respeitam as paradas e os passageiros e, em vários bairros, podemos encontrar parques ambientais de acesso gratuito como oásis em meio ao maciço de concreto. As pessoas também, pode-se dizer, vlorizam uma boa leitura. Além de turistas como eu, crianças, aposentados, praticantes de exercícios físicos, o que se vê nos parques em dias de semana são pessoas lendo! Sem falar na famosa Livraria Cultura, um paraíso para qualquer amante das letras: três andares de títulos de todos os gêneros e todas as ciências, para t
odas as idades e todos os gostos. A arte também ganha destaque, há muitos museus com bom acervo e bem visitados, teatros e cinemas com infinidades de espetáculos e filmes em cartaz.

No entanto, faz dez dias e já tive a minha overdose do ritmo alucinado de São Paulo. O pior é que ainda faltam mais cinco antes de poder voltar pra casa, matar a saudade dos meus, sentir o cheiro de rio e a atmosfera de uma metrópole provinciana que só se encontra na Amazônia. Já fiz apologia à minha terrinha em outros posts, mas nunca me senti tão paraense, não posso deixar de dizer que é só no Pará que se inala o aroma do tacacá pelas esquinas, se toma açaí na tigela com farinha de tapioca e não com energético, se demora apenas (isso mesmo, "apenas" se comparado a São Paulo) 30 minutos, no máximo, em engarrafamentos e o mais importante de tudo: pode-se ver o sol se pôr no horizonte e não por entre prédios e fumaças.

Tive experiências interessantes aqui, sobretudo diferentes das minhas costumeiras (nunca me senti tão fútil), me diverti e vivi bons momentos, mas volto para casa com a felicidade que sei que causam os reencontros e, claro, com o cartão de cédito estourado... Mas nada como um fim de tarde na minha pacata Belém para curar todos os males. Meu amor, já estou chegando!!!


"Belém, Belém, és minha bandeira, és a flor
que cheira no Grão Pará"


=)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Síndrome de carpe diem

"Sê sábia, filtra o vinho e encurta a esperança,
pois a vida é breve. Enquanto falamos, terá fugido
ávido o tempo: Colhe o instante, sem confiar no amanhã"

Tem certos caminhos na vida que percorremos de olhos fechados. Para outros, precisamos ter os olhos bem abertos, e ainda assim, são como saltos no escuro. Aviso desde já que este aqui é um post bem clichê.

Ao tomar direções, ao pensar no futuro, tenho medo de sair de mim, medo de ser livre, de perder o controle sobre minhas emoções. Medo de ser eu mesma. Às vezes, sinto como se tivesse que curtir a vida toda em um segundo. Outras vezes faço planos como se tivesse a vida inteira pela frente. É quase como um comercial de banco: uma mensagem de
carpe diem com a advertência do "faça com moderação" nas entrelinhas.



O que me conforta é que a natureza do ser humano é mesmo a contradição. Só que também tenho medo de ser mais uma dessas pessoas que andam por aí com a humanidade perdida. Tenho medo de me deixar levar e me habituar à cegueira dos instintos.

É assim que percebo que tenho duas faces. Quem é que não tem? Só não sei qual delas reflete o meu verdadeiro eu. Se é a que segue as regras ou se é a outra. A menina independente de valores, que tem suas próprias convicções. Ou a disciplinada, obediente. Minha consciência ainda pesa em certas situações. Mas, em outras, sou tão dona de mim...

Não sei se é aí que está o equilíbrio da minha trivial existência. Ainda não consegui entender. Talvez seja só a vida querendo me ensinar a jogar, me fazendo amadurecer... Quem sabe daqui algum tempo poderei dizer que aprendi e que me encontrei, ou então, terei me perdido de vez.

Neste fim de ano, decidi não fazer planos. Creio que, dessa vez, 2010 vai começar diferente pra mim. Embora eu quase sempre volte pra casa, longe, a placa anuncia a curva, e esse caminho, eu não sei onde vai dar. Devo manter os olhos fechados?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Entre 4 paredes

Já faz dias que penso em mil coisas sobre as quais gostaria de escrever e postar aqui, mas as palavras não fluem mais como antigamente. Há tempos não consigo me concentrar em uma ideia. Tenho vários textos começados, mas a maioria incompletos...

É engraçado perceber, afinal, que nem tudo na vida tem início, meio e fim. Nem todos os seres humanos conseguem alcançar a façanha de todas as etapas cumpridas, cada uma a seu tempo. O que eu quero dizer é que a vida (pelo menos a minha) está longe de ser uma linha reta. E isso é fato. Vejam os exemplos da literatura e do cinema: as melhores histórias são as que não começam pelo começo.

Calma, não vou dissertar sobre Matrix nem nada do gênero. Na verdade, não sei qual a finalidade desse post. Talvez ele nem tenha uma, a não ser a vontade de encontrar alguém que leia isso e me diga que eu não sou a única louca a olhar pela janela, às vezes, e sentir como se o mundo lá fora girasse em outro ritmo, diferente de como gira aqui dentro entre as minhas quatro paredes. É como se eu pudesse desprender minha alma e fazê-la dançar uma valsa, enquanto meu corpo estremece e vibra ao som de um bom e velho rock'n roll.

Eu gosto de ver tudo numa lentidão alucinada, de sentir as coisas fervendo em um frio extenuante. Sei que não faz sentido. Isso é porque as antíteses são charmosas, embora as metáforas é que estejam sempre comigo. E é por isso que, se eu fosse escolher um formato para definir a vida, a minha não seria uma reta ou um círculo nem mesmo linhas em paralelo. A minha vida tem 4 lados. Sempre. São momentos que iniciam, vão ao clímax e terminam em um único enquadramento, que pode se repetir, mas não segue um contínuo.

Não, por mais que pareça, não fumei um antes de escrever essas loucuras, rsrsrs!! Na verdade, isso pode ser um outro sintoma... Para minha própria surpresa, dia desses, me vi discordando de alguém que comentava algo a respeito sobre a possível "morte do amor". Se alguma vez eu disse isso (e sei que disse muitas vezes), me concedo aqui, hoje, o benefício da dúvida.

Talvez o amor ainda não tenha morrido. Talvez ele esteja apenas escondido ali entre o início, o meio e o fim, uma das etapas do todo que eu ainda não vivi. Ou ainda, talvez, ele tenha surgido e passado despercebido, como num desses breves instantes que a vida faz eternos na lembrança. Não tenho certeza, nunca tive, mas estou disposta a descobrir...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Belém 40º


Foto de Manoel Neto*

Essas tardes belemenses estão cada vez mais quentes. Tanto, que vai batendo uma agonia de ter as pernas coladas no plástico da cadeira ou a costa molhada de suor no contato com o lençol que somos obrigados a sair de casa sem destino em busca de aventura e "colher as flores que nascem no asfalto".

Com disposição e criatividade é possível ver a cidade tomando cores e formas nunca antes percebidas. É só colocar a voz do Humberto Gessinger no volume máximo e deixar o vento assanhar os cabelos enquanto se canta em alto e bom som: "se faltar calor, a gente esquenta", "se ficar pequeno, a gente aumenta", "se não existir, a gente inventa".


A melhor parte é que, se a imaginação falhar, sempre haverá a opção de ir parar na beira do rio, privilégio de quem mora nesta terra de águas férteis e verão de um ano inteiro. Uma cervejinha pra refrescar, uma conversa animada, o cheiro de outubro chegando, um belo pôr-do-sol e pronto: não quero outro lugar pra viver.

******

Em tempos de Círio, até quem não é daqui se sente mais paraense. Salve, salve a Nazinha!

:)

*OBS.: A foto fantástica lá no topo foi gentilmente emprestada pelo amigo, fotógrafo profissional, que também é professor de Física nas horas vagas, Manoel Neto. Para conferir outras imagens belíssimas da "Belém das Águas", clique aqui.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

E a coisa só faz piorar

Essa história do Edir Macedo...

A Globo, é claro, aproveita para resgatar algumas das ovelhas (leia-se audiência) perdidas para a TV Record.

******

Saiba mais:

Bispo Edir Macedo é indiciado por lavagem de dinheiro
Altruísmo Empreendedor




quinta-feira, 11 de junho de 2009

Defeito de fábrica

Chega um momento na vida de uma mulher em que simplesmente não é mais possível acreditar nessa história de amor. A gente se acostuma a ser tratada como um pedaço de carne e é só isso que passamos a ver quando olhamos no espelho.

De um tempo pra cá, eu até aprendi a ter auto-estima e a me dar mais valor, mas é difícil quando tudo que esperam de você é fetiche, pura fantasia de um corpo sem rosto e sem sentimento.

Não é tão simples, não é uma questão de se sujeitar ou se prestar ao papel. É cultural... Herança da Revolução Industrial, uma sociedade capitalista que quer mulheres fabricadas em série e em larga escala, educadas para satisfazer desejos.

Eu não concordo com isso, não queria que fosse assim, mas é assim que é. Queria poder ainda acreditar em romance, mas é simplesmente impossível nesses tempos em que se preza mais pela quantidade do que pela qualidade.

É por isso que querem me queimar na fogueira quando falo com muita naturalidade que mão acredito nesse tal amor e nem espero mais ser arrebatada em uma manhã de verão pelo príncipe no cavalo branco. A essa altura do campeonato, o mínimo que eu exijo é um pouco de educação, alguns elogios, quem sabe carinho...

A minha natureza (humana, do tipo fêmea), não vai me impedir de, no dia seguinte, criar expectativas sobre telefonemas e segundos encontros, mas isso é só por força do hábito.

Em alguns momentos de fraqueza, também pode acontecer de eu desejar um abraço quente e protetor, um cafuné no cabelo e um buquê de flores, mas nada que um cartão de crédito, uma caixa de chocolates e uma pizza com bastante queijo não resolvam.

Amanhã, talvez, quem sabe, eu conheça alguém que realmente valha a pena... ou não!!! Nããããoooo. Isso é conto de fadas. Eu já passei dessa fase.

******

Mas, para os que amam: Feliz dia dos namorados!!


Fazer o quê? O amor vende!!

Leia mais (clique aqui)

domingo, 24 de maio de 2009

Manifesto contra o Sistema

Que raios de entidade quase mística é esse tal de Sistema? Ele é onipresente, onipotente e decide sobre a vida de todo o mundo.

Dia desses, 10h da manhã, arrumo uma brecha nos afazeres e vou ao banco pagar uma conta. Primeiro, recorro ao caixa eletrônico, mas eis que recebo a seguinte mensagem: "Sistema fora do ar, dirija-se a outro terminal ou procure a agência mais próxima".

Resolvo entrar na agência bancária, templo sustentado pela entidade em questão, e me deparo com uma cena apocalíptica: clientes aos berros desesperados, gerentes estressados, computadores em pane... Todos à mercê do Sistema.

Respiro fundo e decido voltar para o escritório. Mesmo sendo o dia de vencimento da conta, posso fazer o pagamento pela internet. "Afinal, tecnologia tem que servir para alguma coisa! ".

Tento, então, acessar o site indicado, mas para a minha surpresa: "Falha no carregamento. Sistema de rede não encontrado".


"Calma", disse para mim mesma, já pensando nos juros que me renderiam o atraso no pagamento. Ainda tenho uma opção. Há um posto de serviço bancário na farmácia da esquina de casa.

No fim do dia, fui até a tal farmácia. Uma pequena fila de pessoas esperava pelo mesmo atendimento. Aguardei pacientemente e quando chegou a minha vez:

- Desculpe, não podemos receber seu pagamento - disse a mocinha nada simpática do caixa.

- MAS POR QUÊ? - perguntei.

- O Sistema não permite. Só recebemos contas no dia do vencimento até as 19h.

Olhei no meu relógio. Faltavam 3 minutos para as 19h. Mas, no relógio do Sistema, já eram 19h01. Tarde demais...

"Não é possível, joguei pedra na cruz do Sistema!", pensei. Minha penitência: pagar juros.

Será que adianta rezar?

Oh! Venerável e absoluto Sistema... EU NÃO QUERO SER PERDOADA!!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Por onde eu ando

Que o mundo é mau, excludente e dicotômico, todo mundo já sabe. Isso é óbvio! O problema é que o óbvio nem sempre é percebido. Há uma cegueira ética na humanidade, cujos valores mais básicos estão sendo esquecidos ou substituídos pelos ideais da sociedade de consumo.

Eu mesma, neste exato momento, falo sobre desigualdades sociais enquanto desfruto da boa atmosfera do meu quarto e do conforto proporcionado por um roupão bem quentinho e umas sandálias macias (piadinha interna: só ainda não tem o Vaio e o vinho... :p, quem sabe um dia!).

Não quero, com isso, chamar a atenção para a natureza hipócrita e contraditória inerente a todo o ser humano (quem nunca usou máscaras?), mas sim tentar fazer uma reflexão sobre o fato de que a evolução da sociedade é inversamente proporcional ao desenvolvimento de seus valores. Quanto mais civilizado o homem, mais selvagem se torna seu ego.

Por que perder tempo com quem não tem nada a te oferecer? Por que tratar bem quem você nem conhece? Por que dar bom dia no elevador quando você pensa "Poutz, é segunda-feira, 7 da matina, tô de ressaca, tá chovendo, tem uma pilha de trabalho atrasado me esperando e eu ainda tenho que ser simpática com a vizinha fofoqueira"? Estranho mesmo, nos dias de hoje, é encontrar alguém que se comporte de forma diferente disso.

Eu sinceramente até queria levar a vida de forma mais leve e alegre. Às vezes até tento ser gentil. Outro dia estava eu na sala de aula, esperando professor, turma lotada, todo mundo quieto. Em uma inexperiente tentativa de socialização, olho pra colega ao lado e tenho a sensação de reconhecê-la de outros ambientes não estudantis. Apesar de ela parecer ocupada mexendo em seus papéis, arrisco uma palavrinha: "Você é a fulana, não é? Namorada de Cicrano? Lembro de você de tal lugar...". O contato interpessoal morre instantaneamente após o olhar fulminante que ela me dá como quem se pergunta: "Quem é essa inxirida que diz que conhece o meu namorado?". E depois ainda levo uma esculhambação do namorado sob a acusação de ter plantado discórdia no namoro alheio! Banho de água fria...

O fato é que as pessoas do século XXI são pessoas sérias. Isoladas no alto de suas torres de marfim (entende-se aparelhos de MP4, iphones, ipods, notebooks e afins), as únicas gentilezas que conhecem são as palavrinhas mágicas "por favor", "com licença" e "obrigado", que quando ditas saem no piloto automático, e pensam que ao pronunciá-las já praticaram suas cotas diárias de solidariedade e fraternidade... Não precisam se misturar com reles mortais que, apesar de tudo, ainda tentam evitar a apatia.

Há quem me chame de introspectiva, devo admitir, mas acontece que sou produto do meio em que vivo. De tanto ser ignorada, me fechei em mim mesma e aprendi a ignorar também. Não acho isso bonito, só que toda vez que tento agir de forma diferente levo um tapa na cara dos egos selvagens das pessoas sérias.

Por isso, tenho que "evoluir" junto com a sociedade e ser uma pessoa séria. Eu sou séria. Sério! Eu to falando sério... até porque não sei ser engraçada, meu humor é ácido, o dramatismo é meu defeito de fábrica e se alguém me olha feio, fala grosso comigo ou me abandona, eu choro.

O fato é que, eu que sempre critiquei o meio termo e as coisas mornas, agora, me descubro ali, exatamente no ponto intermediário desse mundo feito de extremos. Não sou gentil, mas também não sou apática. Ando por entre as flores e os cogumelos... ora sou a lagarta, ora sou a borboleta, mas na maior parte do tempo, prefiro me manter no meu casulo. Nesse meu mundinho particular, ainda acredito em valores considerados ultrapassados por muita gente, porém, nem sempre faço questão de colocá-los em prática.

*****

E mais uma vez citando um pequeno principezinnho:

"(...)

- Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão contas. E o dia todo repete como tu: 'Eu sou uma pessoa séria! Eu só faço coisas sérias!"' E isso o fez inchar-se de orgulho. Mas ele não é uma pessoa; é um cogumelo!
- Um o quê?
- Um cogumelo!

(...)"

Quem, hoje em dia, cultiva jardins em estruturas de concreto??


*****

Ufa! Que alívio, o romantismo se foi...

:p

Será???

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sentidos x Matéria

Vivemos num tempo em que os seres humanos são só matéria.

Alguns são apenas rostos, figuras sem expressão, estampas desbotadas, que se não incomodam, não fazem a mínima diferença. Outros, a maioria, são apenas corpos, um composto de tecidos, ossos, músculos... físico, organismo pulsante, de células táteis, matéria concreta, sangüínea, palpável... Às vezes, mas desejável do que necessária.

Nesse tempo em que vagam pelas ruas muitos rostos sem corpo e tantos mais corpos sem rosto, estranho mesmo é ver alguém inteiro, com rosto, corpo, alma e coração. Ser humano, nos dias de hoje, é ser civilizado, é saber viver em sociedade e interagir com metades perdidas, é se sentir sozinho no meio da multidão.

Ser humano, em nossos tempos, é ignorar a desgraça alheia, é se sentir invisível mesmo sob a luz de holofotes, é amargar em silêncio sofrimento, medo e desespero. Não sei se sou mais rosto ou se sou corpo. O fato é que já perdi a minha alma e o meu coração há muito tempo.

Não sou de papel, mas amasso e rasgo com facilidade, me dissolvo quase sempre em lágrimas de crocodilo, pois também me separei da minha verdade. Em matéria, sou humana. Em essência, solidão. Em sentimento, sou só palavras... efêmeras, descartáveis, a maior parte jamais lida.
*****
Filosofia de boteco: Empédocles dizia que na natureza atuavam duas forças, por ele chamadas de amor e de disputa. O que une as coisas é o amor; o que as separa é a disputa.
E mais uma vez, a disputa se repete; a eterna disputa entre a fé e a razão, entre o amor e o poder. Esse discurso já deveria estar obsoleto!!



domingo, 1 de fevereiro de 2009

"Fórum do Caos Social" – O ser humano carrega o mundo nas costas

  • Diversidade

A variedade de povos e debates que compôs a programação política do Fórum Social Mundial 2009, que ocorreu em Belém/Pará/Brasil, de 27 de janeiro a 01 de fevereiro, se manifestou da cultura e também da hipocrisia. Se por um lado o Fórum ofereceu livre espaço para a manifestação tradicional de diversos grupos e discursos, por outro, o evento foi marcado por contradições, em que muitos de seus participantes e organizadores praticaram exatamente o contrário das atitudes propostas por suas ideologias.

O encontro congregou todas as tribos e todas as culturas. Em cada esquina do território do Fórum, brotavam celebrações e reivindicações que contemplaram todos os gêneros, crenças, raças e etnias. É cena para nunca mais esquecer: as ruas da UFRA e da UFPA tomadas pela heterogeneidade, local em que conviveram pacificamente o índio e o latifundiário, o proletariado e o patrão, o liberal e o conservador, o cristão e o anticristo. Acreditem, viu-se até palestinos dividindo ambiente com israelitas, americanos interagindo com vietnamitas.

  • Contradições
Durante a 9ª edição do FSM, os paradoxos estiveram por toda a parte começando pela própria administração da cidade que sediou o evento (Belém-PA) ao escolher como território para as atividades os bairros mais violentos e carentes de infraestrutura da capital. As comunidades moradoras do local, que em anos e anos viveram a mercê da falta de assistência seja no que consiste em moradia digna, seja em saúde, segurança e saneamento básico, de repente viram-se considerados, mas não em função da promoção de sua cidadania, tendo sido até mesmo segregadas da participação no Fórum, e sim pelo objetivo das autoridades de assistir e proteger o povo que veio de fora apenas pela ocasião do evento e não vive aquela realidade diariamente. Surge, então, a pergunta: por quanto tempo durarão os investimentos na área após o encerramento do Fórum Social?
Na mesma perspectiva, em contrapartida a alguns dos temas mais discutidos no FSM 2009, como as medidas a serem tomadas para o combate à pobreza e à desigualdade social, estiveram ambientalistas em favor da preservação da Amazônia produzindo toneladas de lixo, profetas do fim do capitalismo estimulando o consumo na feira livre que reuniu produtos oriundos dos mais variados países e até povos indígenas que contestam a desvalorização de suas culturas cobrando preços que oscilavam entre R$ 2 e R$ 35 para pintar figuras marajoaras no corpo dos turistas usando urucum e jenipapo, recursos naturais da floresta. Houve ainda os que clamam por uma nova consciência e juventude se alienando das discussões sociais e políticas propostas pelo evento para viver apenas os momentos de lazer e diversão no clima de Woodstok criado no acampamento de participantes.
  • O que valeu a pena?
Na hora de se questionar sobre o que ficou de bom desse acontecimento que marcou a história da Amazônia ao reunir líderes políticos de todo o mundo e mudar a rotina da cidade que conheceu as causas mais diversas de protestos que tomaram os lugares mais emblemáticos como cenários, chegamos à conclusão de que, apesar da discrepância entre teoria e prática, o ser humano ainda possui capacidade de mobilização.
Se o tema “Outro mundo é possível” foi o suficiente para atrair pessoas do planeta inteiro para um espaço de debates e contestações, ainda que muitas tenham sucumbido às fraquezas da humanidade e prazeres da civilização, talvez a real necessidade de se criar uma nova ordem mundial, um dia, faça essas pessoas compreenderem que a mudança de realidade depende da mudança de atitudes e que não é preciso um evento de proporções como as do FSM para incitar a prática de ações pelo bem-estar da coletividade e usufruto das gerações futuras. Às vezes, agir isoladamente e dar o exemplo é a única solução para que as transformações e melhorias ocorram globalmente.

Vamos fazer a nossa parte!


sábado, 27 de dezembro de 2008

Outro mundo é possível?

Em 2009, os olhos de todo o planeta se voltam para a Amazônia. De 27 de janeiro a 01 de fevereiro do ano vindouro, Belém vai sediar as atividades do Fórum Social Mundial, maior encontro de movimentos sociais do mundo. As expectativas da iminência de um novo ano, nesse momento, somam-se, então, às de vivência do evento, que se propõe como espaço aberto, plural, diversificado, não-governamental e não-partidário de encontro, que estimula de forma descentralizada o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos engajados, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mais solidário, democrático e justo.
A cidade se prepara para receber cerca de 100 mil pessoas entre ativistas e intelectuais. Porém, apesar da mobilização por parte do Governo do Estado, que injetou investimentos de mais de R$ 368 milhões em infra-estrutura, pouca coisa já mudou na Metrópole da Amazônia. Estranho é pensar que, após anos de miséria, falta de saneamento básico e segurança, as populações que vivem nos bairros do Guamá e Terra Firme, localidades onde se encontram as instituições que sediarão as principais atividades do evento, hoje vêem ao seu redor algumas obras que as beneficiem apenas em função da esperada presença de turistas e autoridades estrangeiras em obrigatória circulação pela perefiria de Belém para poderem chegar aos campi da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).
Que imagem fariam os turistas a respeito de nossa cidade se, para chegar às principais instituições de referência científica de Belém, fosse necessário atravessar um caminho de lixo a céu aberto, pobreza e violência? Quem sabe, se o Governo não estivesse correndo contra o tempo para "maquiar" a realidade das avenidas Perimetral e Barão de Igarapé Miri (únicas vias de acesso terrestre a UFRA e UFPA) com os milagrosos 368 milhões, surgidos sabe-se lá de onde, as discussões sobre o questionamento "Um outro mundo é possível?" poderiam se fazer mais acaloradas.
O fato é que todo fim de ano cria uma atmosfera de esperança, um clima em que as pessoas costumam sonhar e crer em milagres e realizações. Assim como as famílias do Guamá e Terra Firme podem depositar suas esperanças em obras paliativas para a melhoria de sua qualidade de vida, também nós, comunidade acadêmica e bem instruída, podemos nos voluntariar a fazer parte desse momento histórico para a nossa cidade e acreditar que toda a discussão proposta durante o evento não cairá no vazio de discursos carregados em altruísmo e valor humano, que apresentam todas as soluções necessárias para mudar a realidade, mas que se perdem quando encontram o primeiro obstáculo na inércia das autoridades e falta de atitudes de nosso sistema. Talvez, o segredo seja não se deixar impressionar e calar por histórias de pessoas que gritaram e agiram como puderam em função de ideais grandiosos, como os muitos Chicos e Dorotys anônimos que morreram sozinhos nas florestas da região.
Antes de nos desanimarmos quanto a complexidade de nos questionarmos se um outro mundo realmente é possível diante da inaptidão de nossos governantes em se comprometerem com a necessidade do povo em detrimento de interesses particulares e de lembrarmos de uma Amazônia que sofre não apenas com as conseqüências da ação maléfica do homem para com a natureza, mas também com uma violência que transcende os crimes ambientais e humanos para agredir ideologias e diminuir culturas de ribeirinhos, indígenas e povos tradicionais , sobreponhamos nosso otimismo ao realismo e torçamos para que o Fórum Social Mundial, ao passar pela Amazônia, deixe muito mais do que capital estrangeiro em nosso mercado, mas também idéias que resultem em ações e que nos tirem da passividade de espectadores para nos tornarem partícipes e construtores desse novo mundo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Altruísmo empreendedor

A iniciativa "Reconstruindo Santa Catarina", do Instituto Rede Record de Responsabilidade Social, até agora, já acumulou R$ 7.605.623,74. De acordo com a emissora, a campanha teria a arrecadação e a aplicação dos recursos auditadas pelo Ministério Público de São Paulo. Este, por sua vez, desmentiu a informação.
Mais uma demonstração de abuso de poder que vai contra a boa fé do povo brasileiro?
....
Independentemente do fato de os donativos arrecadados pela Record estarem sendo ou não revertidos em favor dos desabrigados de Santa Catarina, a verdade é que tal quantia não deve chegar nem a um valor aproximado do lucro que vem sendo obtido pela referida Rede com o aumento da audiência e, conseqüentemente, do número de anunciantes (informes publicitários) que vem conquistando mediante a espetacularização do drama vivido pelos que sofreram a tragédia exibida em praticamente todos os programas que vão ao ar nesse canal de televisão
A conclusão mais clara a que podemos chegar, que vai além do óbvio, é a de que: afinal, mais do que um homem solidário e altruísta, o Bispo Edir Macedo (charge), fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Rede Record de Televisão, é um homem de negócios, empreendedor, que tem visão de futuro (e aqui, não me refiro ao futuro dos pobres desabrigados de Santa Catarina).