domingo, 27 de outubro de 2013

C'est possible!

Adoro a sensação de acabar de ver um bom filme e perceber que não serei mais a mesma pessoa após subirem os créditos. Acabo de me sentir assim ao ver Les Intochables (2011) - Os Intocáveis. E o negócio foi sério, pois até me trouxe de volta aqui no blog, que estava todo empoeirado e com teias de aranha.

Bom, é um drama que não é dramático... digo, tem sua carga de tragédia e de dor, mas tudo é passado de forma tão leve e tão simples, que nos faz perceber que a vida pode ser bem melhor se encarada, com leveza e simplicidade. E o mais importante, com bom humor: a receita que nos leva à amizade, fraternidade, justiça e solidariedade.

É bem verdade que já é até lugar comum essa história de que devemos pensar sempre de forma positiva e "rir das desgraças da vida", mas o fato é que nunca conseguimos por isso em prática. Algo como o caos no trânsito de nossa cidade já nos tira totalmente do eixo e nos faz xingar Deus e o mundo. Embora, lá no fundo, saibamos que aquilo é momentâneo e que poderia ser muito pior. Por exemplo, podemos aproveitar pra pensar na vida, refletir, relaxar ouvindo música, olhar a rua por outro ângulo que não vemos quando estamos dirigindo, etc.

O filme fala disso, de aprender a valorizar os pequenos prazeres e de aceitar as situações que a vida nos impõe com positividade, sempre. E mostra isso de forma tão natural, que você se põe no lugar do personagem tetraplégico que não faz nada sozinho, mas ri de sua própria condição ao encontrar a amizade em um oposto a ele em termos de cultura, condição social e de saúde, porque ele se permite a isso. Os dois tornam-se os melhores amigos e nenhuma desgraça é o suficiente para lhes tirar o sorriso do rosto e o bom humor, a não ser quando se separam. É um carpe diem que ultrapassa o significado arquetípico da vida louca e sem limites e refere-se a uma maneira de viver encontrando prazeres em pequenas coisas da vida comum.

Essa semana, por exemplo, me senti estranha ao ler uma reportagem sobre a história de vida de Malala, a menina paquistanesa que levou três tiros de um grupo extremista por insistir em ir a escola, mesmo sob proibição e ameaça de morte, e defender o direito a educação de outras meninas como ela. Pensei, "nossa, tão jovem e essa menina já fez um ato tão grandioso para mudar o mundo, enquanto eu levo uma vida tão rotineira...".

O filme me fez perceber que não são somente atos grandiosos que mudam as coisas, gestos simples e fraternos também podem mudar muitos destinos, basta acreditar nisso e pôr em prática.



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Raízes

Maria nasceu menina forte, lá no interior do interior, dobrando à esquerda e seguindo estrada de terra até um cercadinho em uma clareira de uns poucos metros em que se via uma casinha de sapê, com uma janelinha e uma porta.

A mulata sua mãe puxava água no poço quando veio a dor. Maria veio logo nas mãos da vizinha parteira, chamada às pressas pelo pai, que saiu em disparada no potro que conseguiu em negócio feito com homem da cidade. A menina não derramou lágrima ao vir ao mundo.

Aquele momento era de alegria e celebração de um milagre. Maria demorou para vingar. O interior era longe e não dava para a mulata ficar indo à cidade fazer pré-natal. Se fosse, era de potro, e o saculejo prejudicava o feto. Depois de perder umas cinco barrigas, chegou a vez da de Maria. Já cansada e sem esperanças de que essa, enfim, fincasse raízes em seu ser, a mulata entregou a gravidez nas mãos de Deus. E foi tudo muito natural...

A mulata seguiu normalmente sua rotina. Pegava na enxada, puxava a água do poço, fazia os serviços da casa... E Maria ia ali se alimentando daquele dia a dia. O único acompanhamento que tinha era por parte da parteira que aparecia para visitar a mulata prenha uma vez por mês, apanhada na cidade na garupa do potro do pai da criança até o dia do seu nascimento.

Numa dessas idas à cidade, quando Maria já ia com seus três meses de vida, o caboclo foi e não voltou. Foi a parteira, dessa vez à pé, que levou a notícia para a mulata, um mês depois. Ouviu boato da partida do moço pelo mundo a fora com um grupo de caixeiros viajantes que passaram pela vila e despertaram no caboclo o desejo de saber o que tinha para além das árvores que rodeavam aquele lugar esquecido por Deus.

A mulata conhecia esse desejo de seu caboclo. Inclusive, o moço falou isso para ela no dia em que concebeu Maria. Foi debaixo do bacurizeiro, no tempo em que estava florido, coisa que se vê só uma vez a cada nove meses. A mulata sempre teve feitiço por aquela árvore plantada ali por seus pais antes que ela nascesse.

No dia em que recebeu a notícia da partida do caboclo, a árvore já dava fruto. Foi até ela e colheu um belo e maduro bacuri. A mulata comeu da polpa e separou a semente. Foi até o bacurizeiro com a cria no colo e, ali debaixo, deu à menina de mamar. Em seguida, plantou a semente e desejou que, como aquela árvore, que lhe deu sorte na concepção de Maria, a menina, ali, fincasse raízes para não lhe abandonar em sua velhice.

Maria, então, cresceu junto com o bacurizeiro. Com um ano de idade, já era ensinada pela mãe a regar, cuidar e ter amor pela plantinha. E, assim, a árvore testemunhou todas as fases da vida de Maria: do ventre de sua mãe à primeira infância, da adolescência à mocidade, até aquele dia em que, já mulher feita, conversava com a mulata embaixo das duas árvores.


A mulata sempre repetia para Maria a história da origem daqueles frutos, nascidos pela força das mãos que cuidavam da terra que lhes dava sustento. E, da mesma forma que sua mãe, Maria criou fascínio pelo seu bacurizeiro, sabendo que o primeiro havia sido plantado por seus avós em homenagem a sua mãe, e, o segundo, plantado por sua mãe em sua homenagem. Nunca quis saber do pai, portanto. Maria considerava ter nascido como fruto daquela árvore da qual sua mãe cuidou a vida inteira.

Até que um dia, o galo cantou e a mulata não se levantou no horário de costume. Maria foi procurar por ela e não a encontrou na cama. Como que por extinto, foi até os bacurizeiros e lá estava a mulata, morta ao pé das árvores. Maria entendeu o que sua mãe queria. Ela mesma, sozinha, cavou ali a sepultura e preparou o túmulo.

A vida seguiu para Maria, que cuidava da casa, da terra e, em tempos de seca, puxava água do poço para dar de beber aos bacurizeiros. Nunca se interessou por conhecer homem ou a cidade. Levou sua vida ali mesmo, naquela casinha de uma porta e uma janela. Gostava da vida naquele lugar, do som das árvores crescendo em seu redor.

Quando de nove meses da morte de sua mãe, o bacurizeiro grande floriu. Maria, então, percebeu que a segunda árvore, em altura, encontrou seu tronco com o tronco da primeira, formando uma única copa com duas raízes. A partir daí, ambos os bacurizeiros passaram a florir e dar frutos na mesma época. Maria entendeu que, com isso, sua mãe lhe dizia que permanecia ali com ela, fazendo-lhe companhia para a vida que seria longa e cheia de mistérios.

Maria era quase uma ermitã, conhecida no vilarejo por seu amor à natureza e aos animais. Vivia reclusa em seu terreno e se alimentava apenas de ervas e frutos, aquilo que podia plantar e ela mesma colher. Apesar de magra e pequena, era forte em sua estrutura e seu emocional. Jamais era vista triste ou doente.

Passou a receber visitas de crianças e viajantes para ver as árvores gêmeas que mantinha em sua propriedade. Isso a perturbou um pouco em seu sossego, mas não lhe tirou o sorriso do rosto. As pessoas saiam de lá contagiados pela paz que a senhora de cor mulata e pele já bastante enrugada transmitia. Maria viveu até seus 120 anos, lúcida e forte.

Em um tempo que os bacurizeiros floriam, não foi encontrada em casa pelo grupo de visitantes que ia até sua casa toda semana para ver as árvores. Foram até os bacurizeiros e também não a encontraram, somente o túmulo de sua mãe e um montinho de terra revolvida em que parecia ter sido plantada uma semente.

Aquela semente, porém, não vingou, pois Maria não havia deixado descendentes. O que se ouve contar é que, uma vez a cada nove meses, quando os bacurizeiros dão flores e, em seguida, frutos, pode-se ver de relance um formato em um dos caules das árvores irmãs que lembra o rosto daquela velha senhora que, ali naquelas terras, fincou suas raízes.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

E os meus pensamentos são todos sensações

Há tempos eu não sentia vontade de escrever aqui no blog. Tinha algumas ideias, mas nada me trazia ânimo para sentar em frente ao computador e escrever. Passo, ultimamente, tantas horas em frente à tela que, quando tenho a oportunidade de estar longe dela, agarro com unhas e dentes, embora seja cada vez mais inevitável integrar-se.

Essa semana, senti vontade de escrever porque voltei a entrar em contato com o que realmente me motiva a escrever: a literatura. Sim, eu amo a literatura. E falo isso sem medo ou vergonha, sem restrições. Amo ler, amo escrever, amo traduzir com palavras minhas emoções. A literatura me faz sonhar, me faz criar um mundo paralelo, ainda que, para alguns, um mundo antiquado, fora de moda.

Começando em um novo trabalho, dia desses, um vizinho de mesa me pergunta: "Qual é mesmo a tua formação?". Com um tanto de orgulho na voz, respondo: "Jornalismo, com especialização em Língua Portuguesa e mestrado em Estudos Literários". E ele solta a pérola: "Caraca, tu deves ser muito chata!". Julgada que fui, achei graça, e perguntei a mim mesma: "Como pode alguém não gostar de literatura? A sorte é que o mundo é feito de pessoas diferentes!".

As palavras têm força e poder. Alguém que sabe manipular palavras e criar um texto para puro deleite e contemplação é um verdadeiro artista. Eu estou longe de ter esse dom, mas sei apreciá-lo. Um escritor é um escultor de sentimentos, um afagador de almas. É alguém que vê além do que seus olhos podem ver e supera o concreto, é todo sensações.

Na minha humilde opinião de leitora, acho incrível o que a leitura é capaz de fazer com as pessoas e com as coisas: a literatura faz nascer, faz mudar, faz crescer... Alguns minutos em um ambiente totalmente propício para esse entendimento, a Feira Pan-Amazônica do Livro 2012, foram suficientes para ter certeza de que a literatura não me faz chata, mas sim, me faz maior, do tamanho do que minha imaginação pode vislumbrar.

Em outros posts, já critiquei as proporções que este evento tomou em minha cidade, mas, ainda assim, é inevitável não reconhecê-lo como uma grande celebração à literatura, há de saber aproveitar seus bons momentos, separar o joio do trigo e saber colher os frutos: as imagens mentais e as sentimentalidades que nos permitirem o verso e a prosa.

Quem escreve e quem lê pode ser quem ou o que quiser, ou, quem sabe, qualquer coisa de intermédio, como diria Sá-Carneiro, o amigo dileto do homenageado desta edição da Feira. Muitos em um, um em vários, uma Pessoa em Fernando, Fernando em várias pessoas: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis... mas do que seres de papel, seres de sentimento, seres cheios de alma, ainda que alma feita de letras e palavras.



Pessoa - e todos os seus "eus" - queria ser poeta como as flores florescem e têm cor, permitindo-se dizer tautologias, porque, ainda que cheio de pensamentos, a poesia o livrava do peso de pensar, sabendo-se por isso, não do tamanho de sua altura, mas do tamanho do que sua alma o permitia ver e, mais do que ver, enxergar.

Fernando Pessoa sabia-se poeta, se sabia sábio e, ao mesmo tempo, sabia que precisava saber mais:

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

Olhar o mundo com as lentes do poeta é entender que:

"Tudo vale a pena se a alma não é pequena"

É entender com naturalidade, a complexidade do mundo, querendo-se, por isso, mas simples e:

"Leve, leve, muito leve, um vento muito leve que passa, E vai-se sempre muito leve..."

Chata para alguns, essencial para outros, a literatura é vento, mas também é ar. E penso nela não como quem, simplesmente, sente a brisa, mas como quem respira.

"Olá, Guardador de Rebanhos,
Aí, à beira da estrada,
Que diz o vento que passa?

Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois
E a ti, o que te diz?

Muita coisa mais do que isso
Fala-me de muitas outras coisas
De memórias e saudades
E de coisas que nunca foram..."

segunda-feira, 11 de junho de 2012

No teu olhar, eu leio

Eu me apaixonei por Amaro no passeio público. Foram cinco anos de romance. Ele vinha do lado oposto ao meu e trocávamos olhares. Belos olhos castanhos claros ele tinha. Combinavam com os meus, cor de mel. Nunca trocamos palavras, apenas olhares. Assim nos conhecemos e nos amamos.

Amaro é o nome que escolhi para ele, porque tinha a ver com seus olhos, Sorríamos, piscávamos, abaixávamos o olhar timidamente e, assim, dizíamos tudo: Eu te vejo e eu te amo!

Era possível perceber quando o olhar estava triste, quando estava radiante, quando havia dúvida... Havia dias que ele me olhava com ternura, em outros, olhava-me com desespero. Houve momentos em que me olhou com raiva, um furor misturado com desejo e paixão. Eu retribuia o olhar!

Ah, aqueles olhos, por alguns segundos em cima dos meus... Apenas o tempo de cruzarmos um o caminho do outro, deixando escapar também nossos cheiros e o rumor de nossos passos.

Dávamos voltas na praça. Todos os dias no mesmo horário. A luz do fim de tarde deixava os olhos dele ainda mais bonitos. Caminhávamos até escurecer. Não houve momento em que nossos olhos se tocassem que meu coração não batesse forte ao ponto de quase sair pela boca. Era um passamento, um frio na barriga, um comichão na pele.

Ele olhava minhas mãos envoltas em luvas, segurando o cabo da sombrinha. Ele olhava a barra da minha saia acabada em renda e que farfalhava na calçada deixando a mostra a pontinha dos delicados sapatos. Outras vezes, ele olhava a cintura apertada no vestido e o peito arfando no espartilho. Oh, Amaro...

Aquele olhar, ah, aqueles olhos, eu os via mesmo de olhos fechados. Eu voltava para casa com o suave toque daquele olhar e sonhava com ele. Nós nos olhávamos!

Mas não apenas a nós mesmos. Também olhávamos o universo ao nosso redor. Vimos mudar as estações, as folhas caírem das árvores, as flores nascerem e murcharem... vimos soprar o vento do progresso. Vimos a paisagem se tornar outra: as ruas foram ficando mais movimentadas, de carros e de gentes; as casas e sobrados foram dando lugar aos pontos de comércio e cortiços... O passeio público não era mais o mesmo. Até que veio a notícia: uma rodovia, uma grande rodovia passaria por aquele local.

Lembro do dia em que trocamos nosso último olhar! Ele veio cabisbaixo... Meus olhos lagrimavam. Diminuímos o passo, quase paramos. Ai, não fosse o quase... Ele me olhou mais demoradamente, um doce olhar. Passamos um pelo outro e viramos nossas cabeças para olharmos por mais alguns segundos.

Hoje, meus olhos não são mais os mesmos. Eles viram muitas coisas e também fecharam-se para outras. Os meus olhos estão envoltos em rugas e pele envelhecida... Ainda vejo o olhar de Amaro quando os fecho para sonhar. Vou-me dessa vida com a certeza de que vi e vivi um verdadeiro amor: coisa rara nesse novo mundo... um mundo táctil, de concreto.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Quem inventou o amor?

Hoje eu gostaria de refletir sobre o amor, começando por dizer que amor que é amor não se importa com coisas pequenas, as coisas fúteis da vida, sabe, aquelas passageiras?!

O amor que é amor permanece acima de tudo, acima dos quilos a mais, acima das incompatibilidades de gostos, valores e personalidades.

O amor é cheio de beleza, o que eu amo é belo, independentemente da cor, da forma, dos adereços. Ele também me deixa ser o que eu quiser, como eu quiser, e me ama assim mesmo.

Amor que é amor é flexível, para que caiba nele ainda mais amor. É paciente, é bondoso, é compassívo... Qualquer semelhança com Coríntios 13 não é mera coincidência: é amor! Existe desde que o mundo é mundo e é bíblico.

Amor que é amor é aquele que vem de duas partes, é dois em um, um mais um igual a uma dupla de um: dois corpos, dois corações, mas um só sentimento. É a dor de um que dói no outro, na mesma medida... Não tem fórmula, nem lógica!

É fazer tudo, mas TUDO, junto, sem se enjoar da sua companhia. É se amar tanto ao ponto de querer amar o tempo todo e, nas horas vagas, amar mais.

O amor que é amor é realmente grande, ENORME, do tamanho de 1001 galáxias e mais o infinito, para que nele haja bastante espaço para a compreensão.

O amor está na pele, no brilho do olhar, na textura do cabelo e na extensão do sorriso de quem ama e se sente amado, de quem é verdadeiramente amado, de quem tem todo o amor do mundo. É um eterno aprendizado.

Amor que é amor não deixa lacunas, pelo contrário, completa, preenche os vazios, ele não cobra, não deixa sofrer, não deixa só, ele se preocupa igual e busca a solução em conjunto.

O amor não é mesquinho, é generoso, por isso, ele não se sacrifica, ele se doa, se dá, sem esperar nada em troca. Ah, mas ele também não se planta, viu?! Brota, assim mesmo, do nada - até entre duas pedras - e vive. Mas é preciso regar para crescer, florir e gerar frutos.

Ele é mesmo piegas, meloso, cheio de açúcar, previsível e até lugar comum, mas também sabe surpreender e deixar zonzo de tanto amor. Embora seja, ou pelo menos deveria ser, mais emocional do que físico, mas sobre isso Rita Lee já refletiu muito bem.

E as comparações poderiam continuar ad infinitum, mas amor que é amor não se reduz a metáforas. Ele fala por si mesmo. Percebeu? Ele FALA, não guarda segredos, desabafa, discute relação!

O amor conversa, não manda recados, mas, às vezes, é inevitável até para o amor, mas só para o amor que é amor, porque esse é complexo, é profundo, é contraditório, embora constante... nunca foi fácil, em nenhuma geração... Ou, talvez, seja tão simples, mas tão SIMPLES, que acaba se complicando de tanta simplicidade!

Amor que é amor aceita, perdoa, releva... é amor até debaixo d'água, no meio de um incêndio, sob tempestades e tufões. O amor prevalece SEMPRE!

Mas isso não é uma declaração de amor, embora eu ame e AME MUITO! Isso é só uma forma de eu perceber que eu ainda não sei amar e de como eu gostaria de ser amada dessa forma...

Mas o amor não tem forma, lembra?

E voltamos, de novo, ao princípio...

Quem inventou? ME EXPLICA, POR FAVOR!!!!



Quer saber? Não tem explicação!! É O AMOR!

sábado, 24 de março de 2012

Não, Tempo, não zombarás de minhas mudanças!

O tempo passa, a gente cresce e eis que, de repente, a nossa vida já não é mais a mesma de há alguns anos. Foi assim: de repente, dormi menina, acordei mulher. Sim! Mulher. Apesar de meu rosto e meu tamanho enganarem.

E eu que nunca soube negligenciar nada, tomo para mim o escudo e a espada, enfrentando o que tiver que enfrentar.

Acho que esse é o processo natural da existência humana na civilização: ser criança, crescer, ser jovem, amadurecer, ser adulto, batalhar e vencer, embora nem todos consigam...

Digamos que cumpro bem meu papel. Sigo a linha do tempo, sempre constante, na normalidade do cotidiano presente.

Talvez eu seja uma dessas heroínas: filha, mãe, amiga, irmã, mulher, menina, amante... Talvez minha existência não seja tão medíocre quanto, às vezes, me parece... Talvez eu deva sentir um acréscimo de estima por mim mesma e mereça congratulações por um 8 de março que já vai longe...

Whatever.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Queira ou não queira terminou o Carnaval...

"O Marajó é uma coisa fantástica, só você vendo… E depois de ver, é capaz de não acreditar. Você vê, sente, vive o Marajó; Contar é difícil. Adianta?..." 

Carlos Drumond de Andrade escreveu essa crônica em 1981 sem nunca ter ido ao Marajó. Só de ouvir falar! Esteve lá através de relatos por correspondência com uma certa moça paraense e conseguiu recriar a Ilha no seu imaginário.

Imagina, então, se ele tivesse presenciado a cena: o mar misturando-se aos rios, os furos de água cristalina, a revoada dos guarás, o galope dos vaqueiros, os búfalos convivendo pacificamente com os homens, a travessia dos pôpôpôs no lusco fusco do fim de tarde... Cenário de novela. Aí, sim, tenho certeza que não saberia se olhava, bebia ou mergulhava na paisagem!

O Marajó é puro encantamento, uma viagem no tempo, um transbordamento de memórias e emoções. A Ilha transpira histórias da época do descobrimento, das grandes navegações, da colonização e missões.

Do tempo da crônica de Drumond pra cá, Salvaterra cresceu absurdamente. É a cidade mais desenvolvida da Ilha, onde prosperam o comércio e a modernidade. Soure, não. Permanece em ritmo pacato de cidade interiorana, de praias recém descobertas, dos grandes casarões e dos sobrados coloniais que dividem espaço com tendências mais modernistas ao estilo raio-que-o-partaAmbas as cidades foram planejadas como no modelo novaiorquino, com as ruas numeradas, cortadas por travessas sem nome, só números. 

Os cinco dias do Carnaval são pouco para conhecer tudo que as cidades e a Ilha têm a oferecer. É preciso optar entre os blocos de rua em que os mascarados dividem a alegria com as crianças, e, as fazendas que abrigam os jacarés e escondem o suspiro da cobra grande.

Depois de um naufrágio de um navio - que não se sabe se indiano ou francês - no no rio que dá acesso a Soure, impedindo embarcações de grande porte de atracarem diretamente lá, Salvaterra passou à frente em termos de desenvolvimento, mas os resquícios de história permanecem por toda parte: na lembrança dos moradores mais antigos, nas ruínas de Joanes... Não fosse a crônica de Drumond eu poderia jurar que o nome "Joanes" é por causa das joaninhas que, lá, encontram-se aos montes, símbolo de boa sorte, fortuna, fartura e amor verdadeiro.

Os turistas chegam a todo instante, de todos os lugares do Brasil e do mundo, para conhecer a Amazônia na sua forma nativa, o povo marajoara, nem índio, nem negro, nem branco: mestiço, genuinamente caboclo. Enfim, não são raros os casos de gringos que se apaixonam e acabam ficando por lá.

Foi o que aconteceu com o britânico border collie, que adotou a Praia Grande, de Salvaterra. Trazido por um inglês para uma temporada na Ilha, não quis mais saber de outra vida. Primeiramente foi levado a passeio ao ponto mais alto da praia. Depois, começou a ir para o mesmo ponto toda manhã por conta própria. O dono ia buscá-lo no fim do dia e ele voltava relutante até que, certo dia, foi parar lá com um pedaço de sua casinha de madeira e, por opção, fincou ali o seu lar.

Carinhosamente apelidado de turista, o cachorro recebe os visitantes, corre livremente pela areia, banha-se na imensidão do mar-rio e é capaz de ficar horas e horas olhando para o horizonte, ao som das ondas, com o ar sábio de quem escolheu com o coração o lugar para viver. 

O Marajó tem dessas coisas, tem seus mistérios, seus encantos... Para usar as palavras de Drumond: "Eta arquipélago danado, deslumbrando, perturbando a vista miudinha da gente!". E olha que eu vi! 

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Pena que o Carnaval acabou, mas ano que vem tem mais!
  

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O baú das lembranças

Às vezes é inevitável ir lá no velho baú de prata onde ficam as lembranças. Lembro da época em que a atual Av. Rômulo Maiorana sequer era asfaltada, só um monte de piçarra e barro batido. O fim da 25 de Setembro, conhecida pelas curvas em S ao redor dos grandes canteiros que serviam às brincadeiras infantis nos fins de tarde.

Não passavam ônibus por lá, mal passava gente: era só os fundos do Bosque, hoje, Jardim Botânico Rodrigues Alves. O tempo passou e foram muitas as mudanças. A rua mudou, inclusive, de nome para homenagear o fundador de um dos principais jornais locais de Belém, que tem sua redação e ilha de impressão instaladas em um de seus quarteirões. 

Atualmente, carros e ônibus disputam espaço por lá. Várias pessoas também disputam a vez nos aparelhos da academia ao ar livre ou, simplesmente, o calçadão do Bosque (para mim sempre será Bosque), que serve a caminhantes e a quem está a caminho. Lá, as crianças vão tomar o sol da manhã e os idosos vão fazer seus exercícios.

Até mesmo alguns dos animais que tem no Bosque um refúgio vêm, vez ou outra, olhar o movimento da Avenida. "Olha a fruta, freguesa!". E, rápido, os macaquinhos aparecem para ganhar o seu quinhão. Entre um passo e outro, é só olhar para cima: lá está uma preguiça, no alto de uma das árvores centenárias. Com o ouvido e olhar atentos, através da grade mesmo, percebe-se também cotias e tatus se esgueirando na mata.

Belém tem 396 anos. Já o Bosque Rodrigues Alves foi fundado em 1883 no bairro do Marco, assim chamado pelo fato de ter sido considerado a primeira légua de crescimento de Belém, delimitando a área da cidade, até então, o ponto mais distante de urbanização já atingido, se considerado o atual centro histórico, onde nasceu a morena do Grão Pará. Hoje, a Região Metropolitana vai bem mais além, envolvendo os municípios de Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara e Benevides.

Eu cresci junto com esse bairro. Aliás, o Bosque me viu crescer. Passeios de domingo, Dia das Crianças, excursão da escola... No presente, sou eu que levo minha sobrinha para ver lá o peixe-boi, um único exemplar da espécie, naquele pedacinho de Amazônia bem no coração da Metrópole, um refúgio de paz em meio a uma das ruas mais movimentas da cidade, a Av. Almirante Barroso, paralela à Av. Rômulo Maiorana.

Apesar de já ter perdido seus dias de glória, o Bosque permanece sendo bastante visitado e recebe as crianças que ainda não foram totalmente arrebatadas pelos DVDs, vídeo games e jogos virtuais. Quero um dia poder levar meus filhos até lá e contar histórias de encantados: o curupira, a sereia Iara, o boto..., no Bosque, têm até monumentos.

Lembro de um episódio da minha infância em que, em um belo dia, foi parar em minha casa um jabuti. Era fêmea e a batizamos de Tieta. Ela só ficava no quintal, no seu ritmo lento de vida. Minha irmã, ao tentar segurá-la, assustou-se e a deixou cair, quando quebrou um pedacinho do seu casco. Alguns dias depois, Tieta não estava mais no quintal. Meu pai disse tê-la levado para morar no Bosque, talvez, uma desculpa para não dizer que, na verdade, a levou para a panela.

Durante muitos dos meus anos de criança, fui ao Bosque para visitar Tieta. Ainda hoje, quando vou por lá, é inevitável procurar com o olhar, nos lagos de água encardida, um jabuti de casco lascado, é inevitável não abrir o baú de prata onde ficam as lembranças...

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Atrasado, mais a tempo de marcar o mês de aniversário de Belém (12 de janeiro).

:)

sábado, 31 de dezembro de 2011

Balanço

2011 encerra hoje com um saldo positivo. Sim, foi um bom ano. O Repórter de Sandálias teve 11 posts e 2.685 visualizações de páginas em 10 países diferentes (Brasil, EUA, Portugal, Alemanha, Coreia do Sul, Paquistão, Rússia, Japão, Letônia e Taiwan).


É claro que isso é bem menos do que eu poderia escrever se não estivesse um pouquinho ocupada fazendo mestrado (em 2009 foram 35 posts, caindo para 12 posts em 2010, quando comecei a pós), mas uma das minhas metas para 2012 é, justamente, cuidar melhor do blog, atualizá-lo com mais frequência e ter mais carinho pelos meus leitores que, embora sejam poucos, são fiéis.

Afinal, a bloqueira que agora vos fala (ou vos escreve - a pergunta cruel da banca examinadora ainda ressoa em minha cabeça desde a defesa: "O que é a escrita para você, Jéssica?") é mestre em literatura!

Ainda não sei bem o que fazer com esse título, mas o obtive com muito esforço, noites perdidas e baladas recusadas, o que me renderam duas olheiras fundas e roxas que eu não tinha até 2009, antes de começar o mestrado.

Já o saldo positivo é bem mais promissor: um novo blog! Para todos que, como eu (e como a minha banca não pode deixar de perceber: "Você tem que tomar distanciamento, Jéssica!"), são apaixonados pela blogosfera.

O blog Webliteratura é o produto final da minha dissertação de mestrado. Ele não era o objetivo principal, mas tornou-se o objetivo fim da pesquisa. Portanto, um novo espaço para discutirmos, comentarmos ou simplesmente navegarmos pelos bytes (web)literários da informaré, como diria Gilberto Gil (ouça aqui). 

É fato que o blog mal foi criado e já está desatualizado, mas isso é porque eu também sou filha de Deus e mereço um bom descanso. Logo, logo pretendo voltar à ativa e, quem sabe, transforme o Webliteratura em projeto de extensão!

Como a vida não é feita só de trabalho, eu também fiz a minha lista de promessas de ano novo. Quero um 2012 mais leve, com mais leituras feitas por prazer do que aquelas leituras obrigatórias, se me permitem a analogia. Então, vamos às metas:

1 - Acordar tarde, dormir depois do almoço e ir pra cama cedo (foi comprovado cientificamente que dormir bem, faz a gente pensar melhor!).
2 - Namorar muuuuiiiiitoooo!!!
3 - Fazer exercícios físicos (adeus sedentarismo!).
4 - Comer menos e melhor (sinto muito pizzas e x-burgeres, quero qualidade de vida!).
5 - Ler mais livros, de preferência, romances (aqueles que os professores não recomendam).
6 - Ver mais filmes e ir mais ao cinema (passei 2011 inteiro assistindo apenas animações e comédias românticas para me abstrair da rotina hard...).
7 - Me atualizar em termos de música e ir mais a shows (descobri um paraíso de cds e dvds na Big Bem da Batista Campos).
8 - Passear mais ao ar livre (odeio a sensação de começar a trabalhar em dia claro, nem ver que choveu, nevou, passou um furacão ou pegou fogo na casa da esquina para sair do escritório em noite alta...).
9 - Viajar mais, conhecer lugares novos e visitar os que já conheço com um novo olhar.
10 - Rir mais, sorrir, gargalhar, achar graça e todos os sinônimos possíveis para o ato de mostrar os dentes em uma manifestação efusiva de alegria (xô, esteresse!).

São promessas fúteis, eu sei, mas eu mereço!

:)

E vocês, me contem, quais as suas metas para o ano novo?

sábado, 15 de outubro de 2011

Me escreva tão logo possa

Ando meio ausente, minha gente, é verdade. Mas é por uma boa causa. Estou finalizando A Pesquisa. É, essa mesma... Mas não desistam de mim! Em breve, o blog volta com super novidades. Enquanto isso, vai um rascunho de um dos "n" projetos que existem na intenção desta pesquisadora e que um dia hão de tornarem-se reais. Aproveito para pedir a opinião de vocês: digam-me, fariam diferente? Que nomes dariam aos personagens? Como imaginam o desfecho?

*****

Projeto para um romance:

Alguém escreve cartas aleatórias, sem destinatário específico, mas com palavras que se enquadram ou encontram identificação em diversos dramas cotidianos, pois fazem referência a conflitos humanos comuns à vida ordinária. As cartas são deixadas também aleatoriamente em lugares públicos da cidade apenas com uma única identificação: a assinatura Repórter de Sandálias.

Muitas pessoas passam pelas cartas e não as percebem, várias vão parar nos lixões ou nas fábricas de reciclagem sem nunca terem sido lidas, mas outras, ao trazerem manuscritas no verso as palavras "para você" chamam a atenção da protagonista 1, que, ao encontrar a primeira carta no banco do coletivo que apanha diariamente - e, depois, outras em lugares que costumava frequentar no dia a dia - passa a viver a aventura de ir em busca dessa remetente misteriosa. A caçada a leva a perigos, aprendizados, e, a um romance.

A protagonista 1, então, recorrerá à Internet para descobrir algo sobre a Repórter de Sandálias e, para sua surpresa, encontra um blog com o mesmo nome, onde também estão postadas algumas das cartas que encontrou na rua e muitas outras, todas com a referência de endereço do local onde foram deixadas na cidade. A protagonista 1 começa a fazer uma coleção das cartas. Tão logo eram postadas no blog, ela saía em busca do lugar indicado, tentando criar uma arnadilha para desvendar o mistério e a identidade da Repórter.

Em uma confusão com uma das cartas, a protagonista 1, na Universidade, chama a atenção do protagonista 2, que entende que a carta que ela deixa displicentemente a vista com as palavras "para você" teria sido escrita por ela para ele com finalidades amorosas.

Após esclarecido o mal-entendido, ambos se unem na aventura e acabam se apaixonando durante a busca. Em conversas filosóficas na tentativa de interpretar e descobrir o que se passa no coração da Repórter, os dois resolvem que é "amor" o que falta na vida da remetente anônima e passam a procurar por alguém que poderia ser sua alma gêmea.

A descoberta final é....

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Blog: uma "nova" literatura?

Está aí uma questão difícil de mensurar. A blogosfera é um mundo a parte dentro do ciberespaço. Nesse mundo, é possível encontrar de tudo, para o bem ou para o mal. O fato é que as próprias características do gênero blog permitem uma diversidade de escrita que não o amarra a nenhuma categoria: jornalística, literária, crítica, opinativa, confessional... As possibilidades são infinitas.

Aliás, há até quem resista em classificá-lo como gênero. A livre expressão e a hibridez de linguagem fazem-no navegar sem uma direção muito bem definida nesse oceano de informações proporcionado pela Internet. No entanto, na necessidade de teorizar sobre o fenômeno da ciberescrita - as diversas que nascem com a explosão das redes sociais que, a cada instante, criam novas galáxias nesse universo virtual -, alguns autores instituem o conceito de e-gênero, os gêneros eletrônicos ou ainda gêneros textuais digitais, onde enquadram-se os blogs.

Os blogs são espaços que permitem uma escrita diferenciada, sem limites, embora fragmentada, e que mescla signos que vão do sonoro ao visual, do imagético ao textual, uma escrita constituída mais do que somente por letras e palavras; composta por bytes, as unidades de informação que formam o código digital e são responsáveis por armazená-lo na Web. Cada byte, contém oito bits e a reunião deles em um sistema organizado de códigos permitem a configuração desse intrincado e irresitível hipertexto, que nos leva por janelas a fora na rede mundial de computadores.

Criei meu próprio blog na rede há quatro anos para ocupar um período de tempo ocioso de minha vida e, hoje, não apenas o meu blog, como a blogosfera de um modo geral, ocupa grande parte de meus afazeres e pensamentos: tenho um objeto de pesquisa. Na verdade, sempre tive o hábito de escrever, seja em diários, agendas ou mesmo em rodapés de livros, cadernos, páginas soltas, pequenos blocos de anotações... Foi fácil, então, me sentir atraída por essa espécie de papel virtual.

Cada novo post é uma parcela incorpórea de um sistema digital que me permite criar um arquivo pessoal na Internet e compartilhá-lo com um público leitor, usuários da rede como eu, que também encontram nesse novo universo uma nova forma de praticar e fruir, de maneira assíncrona, diversos tipos de informação, dentre elas a literária. Foi assim que adiquiri o hábito de "fuçar" a Internet em busca de blogs, cada um com a "cara" de seus autores, mundinhos particulares que refletem a alma, o coração e o intelecto de quem os cria para livre avaliação e interpretação de quem os descobre.

Nessas minhas incursões pela blogosfera, encontrei diversos tipos de textos, alguns capazes até de unir qualidade de estilo e maturidade de escrita a um aguçado senso crítico, tudo aos moldes do hipertexto. Quando optei por fazer dos blogs meu objeto de estudo, minha principal questão era: será que esses textos - que provocam deleite e devir, baseados em fatos reais ou pura ficção, em formato de prosa ou poesia, tantas vezes escritos por anônimos ou desconhecidos, e que ainda assim agregram inúmeros admiradores - podem ser classificados como Literatura?

Se considerarmos o conceito de literatura como a arte de criar e recriar textos capazes de produzir efeito estético e provocar a catarse, a resposta é sim. Mas, e se consideramos a definição de Literatura do ponto de vista canônico, será que a resposta é a mesma? 

Na fase de elaboração do projeto de pesquisa, percebi que, mais produtivo do que tentar definir o que é ou não Literatura é encontrar um caminho para decidir o que torna um texto, em sentido lato, literário. Assim, assumi a missão de investigar qual o lugar da literatura quando entram em cena os novos formatos de escrita possibilitados pelas tecnologias digitais e, dessa forma, especificar as singularidades que esses discursos apresentam no ciberespaço a partir do conceito de webliteratura.

À revelia do questionamento se o que não é canonizado pode ser ou não considerado Literatura, o qual parece eternamente sem resposta, podemos dizer que, na Web, é possível encontrar um “outro” literário que, embora se aproxime, ao mesmo tempo, se distancia dos moldes pré-definidos pelo cânone, uma vez que se constrói a partir da subversão de fronteiras permitida pelo universo virtual e pelo hipertexto.

E, como se configura essa modalidade diferenciada de discurso literário e produção narrativa que se manifesta a partir do surgimento da Internet? Esse é o assunto que pretendo trazer para discussão na mesa "Blog: uma 'nova' literatura?" (dia 4 de setembro, às 15h, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia), que intregará o seminário "Leitura e escritura na Era da Internet", o qual faz parte da programação da Feira Pan-Amazônica do Livro 2011, marcada para o período de 02 a 11 de setembro de 2011.

Se você é fã de blogs e de literatura, como eu, não perca!

:)

Responda você também: na sua opinião, blog é literatura?
 

terça-feira, 12 de julho de 2011

À meia noite e em todas as horas, em qualquer lugar

Tá, tudo bem, realmente exagerei no último post. Aposentadoria é um pouco demais..., digamos que umas boas e verdadeiras férias, daquelas em que curtimos sombra e água fresca, literalmente de pernas pro ar (com ou sem sadálias), resolvam o meu problema. Pena que não é o caso: entrarei de férias pela metade, pois continuarei trabalhando em casa. Mas já é um bom começo.

Essa história de pular de fases ainda me rendeu muitos pensamentos essa semana.

Eu estava justamente refletindo o quanto o ser humano parece ser um eterno insatisfeito com a vida, o tempo e o presente momento, quando me vi, me encontrei, me identifiquei (e outros sinônimos afins) - em total sentimento de catarse - com o dilema do personagem principal do Meia Noite em Paris, primeiro Woody Allen que assisto no circuito comercial e que já é sucesso de bilheteria em todo o mundo.

E não apenas: também me vi no papel da coadjuvante, noiva do personagem principal, sempre reclamando de tudo... Já explico.

Como sempre, as tramas do Woody Allen transcorrem lentas e com simplicidade, mas com cenas que surpreendem a cada dez minutos de filme e terminam com uma grande sacada que muda o sentido da nossa existência.

Estar em Paris faz com que o personagem principal, depois de muito tempo de olhos vendados, volte a se questionar sobre os rumos que até então vinha dando a sua vida, resgatando em seu íntimo o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido, como os imortais que marcaram época na capital francesa dos anos 20. E o sonho é tamanho que o permite viver uma aventura fantástica em que viaja no tempo e conhece pessoalmente os literatos que sempre admirou e foram sua fonte de inspiração.

Tempo é a palavra-chave no roteiro. É indo e vindo dos anos 20 aos anos 2000 que o personagem percebe que não é preciso estar em outra época, seja no passado ou no futuro, para viver intensamente e dar vazão aos seus desejos mais sinceros, basta se permitir e arriscar sem medo de ser feliz. A vida é o presente e estar satisfeito com ela só depende de nós mesmos!

E com esse aprendizado percebi o quanto, tantas vezes, me comportei como a antipática do filme, a noiva chata, perfeccionista e um tanto fútil, que está sempre reclamando de alguma coisa e acha que a felicidade está em conceitos pré-definidos pela sociedade do que é belo, culto, politicamente correto, economicamente rentável... Não quero ser assim!

É por isso que eu retiro o que disse no post abaixo. Vou tentar viver o presente em sua plenitude, aproveitando cada segundo dos bons momentos e tentando, por mim mesma, modificar o que não me agrada, correndo atrás dos meus sonhos e me permitindo realizar os meus desejos mais bobos, sem esperar que a solução para qualquer coisa venha do aquém ou do além-tempo do que eu esteja, aqui e agora, experienciando.

O que um Woody Allen não faz com a vida da gente!!

:)

Assista ao trailler aqui.

sábado, 2 de julho de 2011

Dolce far niente

É até clichê utilizar o espaço dos blogs para falar sobre os pequenos prazeres da vida, mas, com tanto trabalho, ultimamente, apenas consigo pensar o quanto é prazeroso acordar em uma manhã de sábado e não ter absolutamente nada para fazer. Claro que esse não é o meu caso, tanto que até escrever no blog, um dos pequenos prazeres a que sempre gostei de me dedicar, tem ficado cada vez mais difícil.

A verdade é que sempre vivemos as fases de nossas vidas na expectativa de poder chegar logo na próxima. Por exemplo, hoje lembro com saudade dos tempos de colégio, quando a responsabilidade resumia-se ao dever de casa, após o soar da campa de saída. Tinha tardes inteiras para assistir "vale a pena ver de novo", comer brigadeiro de panela e fofocar ao telefone com as amigas. Para as provas bimestrais, nada que uma lida de véspera no resumo das matérias não resolvesse.

Na época, o que eu mais desejava era completar logo os 18 anos e entrar na faculdade. Não vou negar que a maioridade também tem os seus prazeres, mas, daí para as responsabilidade maiores é um pulo só. Tão logo nos formamos, temos que arrumar o emprego ideal e ser alguém na vida. Mas isso não basta. Depois, temos que fazer pós-graduação, estudar para concurso, organizar casa, casamento e ter filhos... Faz anos que não sei o que é assistir sessão da tarde com um balde de pipoca no colo! Hoje percebo o quanto eu era boba ao reclamar disso, dizendo: "mãnhêêê, não tem nada pra fazer....". A resposta vinha sempre com um "vai lavar louça, minha filha, arrumar o quarto, varrer a casa...". Isso não vale!

Para seguir o curso natural das coisas, talvez no futuro eu me arrependa, mas, a fase que estou vivendo agora me faz, desde já, ficar ansiosa pela aposentadoria, quando poderei desfrutar como nunca dantes, bem ao estilo italiano, o doce prazer de não fazer nada :)

"Eu quero uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz e tenha somente a certeza dos limites do corpo e nada mais...".

sábado, 7 de maio de 2011

Benquerença

A pedidos, posto aqui o texto que escrevi e li no casamento da minha irmã... Dessa vez, as lágrimas são virtuais... ;)

*****

Quem trabalha com as letras sempre é o primeiro a ser apontado nessas situações, mas como eu poderia negar algumas palavras para minha querida irmã, a quem eu tanto amo, em um dia tão especial?

Embora seja eu a caçula da família, quem sempre teve o que aprender e raramente o que ensinar na vida, lembro de um dia em que Jennifer e eu, já distantes pelos quilômetros que levam de Belém até São Paulo, conversávamos pela Internet. Ela me dizia - machucada, desiludida - não acreditava mais no amor.

Eu, metida a jornalista intelectual e poeta do mal do século, por muitos anos vivi e pensei exatamente a mesma: "ah, o amor é um sentimento previamente fabricado pela indústria do consumo!". "Essa coisa de príncipe encantado num cavalo branco não existe!".

Maaasss, a vida vai passando, a gente vai crescendo, tendo novas experiências, conhecendo novas pessoas... que, de repente, me vi discordando da minha irmã mais velha, e, naquele dia, disse a ela: o amor é combustível, o amor é que nos faz querer viver, seguir em frente, faz o mundo ter sentido.

Na esperança de convencê-la, citei Saramago, para quem, na vida, é preciso amar e, amar sem medidas, "se não a existência torna-se rapidamente previsível, monótona, uma seca...". Porque o amor é o colorido das coisas, é o chão que nos sustenta, ou a falta dele, que nos faz flutuar.

Citei Camões e as clássicas palavras que passam de geração em geração para mostrar que "O amor é um não querer, mas que bem querer".

E por mais que um dia já tenhamos um dia sofrido por amor ou pela ausência dele jamais poderíamos deixar de acreditar nesse sentimento, porque, como disse, certa vez, Guimarães Rosa, na simplicidade de um de seus personagens mais complexos: "“Só se pode viver perto do outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tiver amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso da loucura”.

E o amor cujo nascimento celebramos aqui hoje (30.04.2011) não é qualquer amor, é um amor verdadeiro, de calor e aconchego, um amor que pode gerar uma família, um lar. Um amor de marido e mulher, Flávio e Jennifer, a quem desejo todo o amor e toda a felicidade do mundo!

Que Deus abençoe o amor de vocês!!!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dádiva

Quando secar o úmido do banho recém-tomado
Quando aumentar a espessura do tempo que se move
Quando o relógio soar a hora do vazio da tarde quente
Vou perfumar a pele, soltar os cabelos ralos
Vestir-me a seu gosto e pintar o rosto em brasa
Esperar pela tua chegada, sempre como um tufão
A desordenar as coisas inertes
Preenchendo as lacunas da convenção e da hiprocrisia
Com tua verdade tão autêntica e tão nobre
Lépida, me jogo em teus braços
Me perco em afagos
Me desfaço em pedaços, de vários eu aprisionados.

****

Em dias de romatismo, vá lá um poeminha para alegrar o coração e despertar paixões....
:)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tempos mais que modernos

Há algum tempo tenho me dedicado a pensar e analisar o papel que a tecnologia desempenha na sua relação com a linguagem. Em visita a Belém, no dia 31 de março de 2011, Lúcia Santaella, uma das semioticistas mais conhecidas e bem pagas nos terrenos nacionais e internacionais da comunicação, letras e artes, me ajudou nessa empreitada falando sobre os "35 anos de convergências tecnológicas", desde o surgimento dos primeiros maquinários provenientes das sucessivas revoluções industriais até o contexto atual, em que a tecnologia digital, do celular, ao cartão de crédito, do notebook ao ipad, passam a regular todo tipo de relação humana ou social que se desenvolve sob a égide da "pós-moderndiade".

Em 1936 Charlie Chaplin já mostrava o desafio que é sobreviver em meio a um mundo moderno e industrializado, quando as máquinas tomam o lugar dos homens e tornam-se suas próprias mãos, mentes e laços. Tempos Modernos é o último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".

A cena inicial da película mostra Carlitos, funcionário de uma grande fábrica, entrando em colapso pelo excesso de trabalho e pelo efeito provocado pela produção em série e em larga escala, que padroniza as ações humanas e deixam o cidadão no limiar da loucura e da escravidão. socialista e é levado à prisão, onde aprende a apreciar os prazeres do ócio, chegando ao ponto de sentir-se mais livre ali, atrás das grades, do que se tivesse que trabalhar em fábricas para sobreviver.

Ao ser libertado, de volta à realidade cruel da sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho, Carlitos assume a identidade do vagabundo, o flaneur, que vaga a esmo pela cidade, com fome, sem destino, em busca de emprego ou aventuras, olhando as vitrines dos sonhos, dos bens e dos desejos que não pode realizar, ter ou saciar. Ao se apaixonar por uma pobre órfã, o vagabundo pensa em "voltar aos eixos", trabalhar e construir a vida ideal da família burguesa, pautada pelo conforto, a diversão e a alienação de quem tem pão, circo e não se importa com os problemas sociais.

Mas, no mundo moderno, não há lugar para os desajustados...


Se a primeira geração da revolução industrial já sofria tanto com os efeitos e impactos tecnológicos provocados pelas máquinas capazes de produzir mercadorias..., que dirá as gerações mais recentes que advém da era em que as máquinas são capazes de produzir linguagem, traduzir códigos alfabéticos e permitir a comunicação em longas distâncias, quebrando as barreiras do espaço-tempo e criando os domínios da virtualidade!

Nos tempos contemporâneos, as tecnologias digitais moldam uma linguagem que nasce e é própria das redes virtuais...

É pensando nisso que Santaella, em seu livro "Linguagens Líquidas na Era da Mobilidade" (2007), identifica cinco gerações que marcam a cronologia das tecnologias da linguagem e da comunicação: 1) tecnologias do reprodutível, caracterizadas pelos meios eletromecânicos de comunicação em massa, a exemplo do jornal, da fotografia e do cinema; 2) tecnologias da difusão, onde figuram os meios eletroeletrônicos de comunicação de massa, como o rádio e a televisão; 3) tecnologias do disponível, gadgets que fazem surgir a "cultura das mídias", regulada pelos meios digitais de comunicação de massa, responsáveis por hibridizar diversos gêneros e linguagens; 4) tecnologias do acesso, geradas pelo surgimento das redes e pelos avanços da teleinformática, onde estão inseridos o computador, a internet e as mais diversas interfaces gráficas; 5) e por fim, as tecnologias móveis, representadas pelos meios móveis com acesso à rede de informação e comunicação, como os notebooks, blackberries, iphones, ipads e afins.

O fato é que, à medida que a comunicação entre as pessoas e o acesso à internet e à informação, na contemporaneidade, favorecem a interferência e a intromissão do virtual na vida real, como ocorreu na modernidade com o personagem de Chaplin, modificam-se as relações de sociabilidade, o psiquismo, a cognição e, inclusive, a corporeidade dos seres humanos, que passam a associar à máquina a sua razão e maneira de existir, estar, pensar, ser e sentir no mundo. Do ponto de vista da linguagem, as tecnologias móveis e de acesso eternizam a escrita, o som e a imagem em uma proliferação infinita de signos, além de uma sintaxe essencialmente híbrida.

Quem não se ajustar a essas novas engrenagens, definitivamente, estará fora de época...




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quarta-feira, 16 de março de 2011

De soslaio

Algumas histórias começam ao acaso, in media res, e ficam abertas ad eternum. Foi assim com aquele pequeno grande sábio, homem simples, marcado pelo tempo e que, talvez por isso mesmo, exalava conhecimento.

Apesar da pele enrugada, os cabelos brancos, os passos que já eram lentos e a voz rouca, os olhos eram vivos como os de uma criança travessa:

Olhando, de soslaio, para o infinto. Olha-se para o infinito? E de soslaio?

Era um filósofo, questionar era seu ofício. Nenhuma pergunta lhe bastava quando o mundo lhe oferecia uma infinidade de respostas.

Cada qual encontra na Terra o paraíso que merece, o meu é livresco.

O pensamento era seu fiel companheiro. Muitas vezes era possível encontrá-lo absorto, com o olhar distante. Na mente, uma tempestade de ideias sempre constante.

Não há fórmula para se fazer poesia. O poema está sempre inacabado, não cessa e sempre se renova.

Seu próprio eu inspirava poesia, sua calma transmitia paz, sua sabedoria instaurava revoluções... Como conciliar os sentimentos mais fortes com o prosaismo do mundo?

A morte não pode atingir a essência da sabedoria.

O conhecimento é o único bem que se adquire por toda a eternidade.

Benedito Nunes
1929-2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar


Mais um caso de morosidade da justiça


Vou fugir um pouco do estilo do blog para tratar de um assunto um tanto quanto denso, mas que não pode ser silenciado. Não podemos deixar as injustiças tomarem conta de nosso Estado, principalmente quando são cometidas pelos próprios órgãos que deveriam, ao contrário, garantir os direitos dos cidadãos... Leiam, comentem e divulguem para o máximo de pessoas que puderem. Vamos combater essa Justiça injusta que não atende os interesses da maioria!!!

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TJE protela nomeações de concursados e Oficiais de Justiça prometem paralisar suas atividades

Oficiais de justiça do Estado do Pará prometem paralisar suas atividades por tempo indeterminado. O motivo é o atraso na contratação de 30 novos oficiais aprovados em cadastro de reserva no concurso público realizado no ano de 2009 pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE-PA). Somente em Belém e região metropolitana, há, atualmente, um déficit de 130 oficiais e 150 cargos em vacância. Após uma série de acordos entre as duas partes descumpridos pelo TJ desde janeiro de 2011, a última promessa foi a de que as nomeações sairiam no dia 1º de março, mas nada aconteceu.

Segundo o presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Pará (Assojupa), Edvaldo Lima, em sete meses, houve mais de 30 reuniões da categoria com a presidência do Tribunal e representantes de suas corregedorias e secretarias de Gestão, Planejamento e Recursos Humanos. Primeiramente, o TJ alegou a necessidade de realizar concurso de remoção. “O concurso já foi realizado, a sobra de vagas continua, já há recursos disponíveis, e o Tribunal permanece em silêncio quanto às nomeações. Não há mais motivos para protelar a reposição e contratação de novos profissionais, a não ser a morosidade que o próprio judiciário protagoniza”, afirma o líder da categoria.

A previsão orçamentária do TJE-PA para 2011 soma a quantia de R$ 51.780.458,76. Comparado a 2010, quando o orçamento foi de R$ 41.992.760,42, são quase R$ 10 milhões a mais. O suficiente para arcar com as novas contratações (dados disponíveis em http://www.tjepa.jus.br/portalDaTransparencia/tjpa/).

O edital (nº002/2009) do último concurso para o TJE antevia a provisão de aproximadamente 270 vagas nas mais diversas áreas. Para oficiais, as vagas foram ofertadas somente em caráter de cadastro de reserva. De 288 candidatos a oficiais classificados no concurso, apenas 7 foram nomeados para comarcas do interior. Em contrapartida, no início de 2011, cerca de 60 oficiais deixaram livres seus cargos, em Belém, por motivos de exonerações, aposentadorias ou falecimentos e não foram substituídos.

Em todo o Estado, há 400 oficiais de justiça em atuação, quando, segundo o presidente da Assojupa, o ideal seria, pelo menos, o dobro, ou seja, 800 oficiais. “Em caráter emergencial, de maneira alternativa, seriam necessários 60 oficiais, sendo 30 para a capital e 30 para o interior do Estado, para cobrir o déficit e diminuir a sobrecarga desses profissionais”, ressalta Edvaldo Lima.

De acordo com o oficial, a falta de servidores para a categoria tem gerado diversos transtornos e prejuízos. Dentre os transtornos, a maioria para o próprio servidor, está a sobrecarga de trabalho, que tem provocado problemas psicológicos como depressão e baixa-estima, além de danos físicos e de saúde por conta do cansaço e esforço excessivo. “São inúmeros os casos, por exemplo, de mandatos empreendidos contra oficiais de justiça que não deram conta de executar todas as ordens judiciais pelas quais tenham ficado responsáveis”, relata Edvaldo. Já os prejuízos se refletem contra o próprio Tribunal, que prefere pagar hora extra aos oficiais em atividade e remarcar audiências do que contratar novos profissionais. O edital 002/2009 tem validade até junho de 2011.