quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Realidade de mentirinha

Está no ar a vida fácil e fútil sob o olhar de Manoel Carlos. As novelas do Maneco são famosas por trazer uma visão particular sobre o cotidiano, por colocar no horário nobre dramas comuns a todos os seres humanos... Será?

De fato, o divórcio, por exemplo, que é um dos conflitos vividos por Lília Cabral no papel de Tereza na nova "Viver a Vida", ocorre em todas as classes socias. Mas a separação da novela das oito requer a difícil decisão sobre quem vai ficar com o jatinho e quem vai ficar com a mansão de Búzios: isso em nada se aproxima da vida real, na minha opinião.

Não acredito que as pessoas comuns se identifiquem com os personagens de Maneco, a não ser uma minoria de classe média alta. O povo que é o povo assiste não porque se encontra nesses melodramas vazios e elitistas, mas para fugir da vida dura e sem graça do "cotidiano do dia a dia diário".

Os faniquitos de uma modelo mimada, como os interpretados por Aline Moraes na nova novela, para alguns, pode ser muito mais divertido do que a simples realidade. "Sei lá, sei lá. A vida é uma grande ilusão", como diz a música de Toquinho e Vinícius, cantada por Chico Buarque e Miúcha na abertura de "Viver a Vida" (ouça aqui).

A "vida real" de Manoel Carlos só existe na telinha do horário nobre, quiçá nos últimos dois minutos do capítulo do dia, quando um telespectador dá um depoimento de não-ficção, recorrente nas histórias do autor, assim como a protagonista Helena, que dessa vez é negra, rica e super modelo (Taís Araújo). Ela seria uma em um milhão na sociedade brasileira se não fosse pura fantasia!

4 comentários:

Rosyane disse...

Hoje não pude participar das conversas, mas acho as novelas do Maneco bonitas de ver: gente, rica, linda, um Rio de Janeiro mais lindo ainda, enfim...bom pra sonhar e aliviar o "dia a dia do cotidiano diário". Tenho uma lista das coisas que podemos esperar: um casal gay bem-sucedido, bossa nova, um devoto de Santa Rita, um Dr.esqueci o nome (é sempre o mesmo), um núcleo no hospital, e claro, uma Helena. Vamos combinar que a Tais Araujo ainda tem que comer muito feijão para ser uma Helena...

Interferência disse...

Acho que uma hora até o povão vai enjoar de comida requentada. Como o Marcelo Adnet disse, as novelas do Manoel Carlos parecem se resumir a "Leblon, ação!" e a escolher um songbook de Bossa Nova pra trilha sonora. E olha que eu simpatizava com o trabalho dele (principalmente depois das hecatombes da Glória Perez). Mas que dá no saco, dá...

Cadicoisa disse...

Jessy, colocamos selinhos no nosso blog pra ti. Olha lá, tá??

Beijos,

Isaac

Manoel Neto disse...

Agora sim Jessy,
Pela primeira vez, estou em 1000 % com você.
Olha só, Já deixei de assistir novelas há muito tempo. O motivo? É o mesmo você especificou sobre as novelas do Maneca (alias, é como alguns amigos me chamam).
Quando assistia novela, eram as do Dias Gomes (O Bem Amado, Roque Santeiro...) excelente por tratarem temas profundo relativo à vida sócio-política-religiosa do Brasil. Além de outras, como o Casarão, Escrava Isaura (versão 1975)... e aquela que considero uma melhores novelas já feita, “Espelho Mágico” (retrata o mundo da televisão e a própria novela em si). Isso! Lógico, num tempo que já se foi.
Bjs